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Opinião: O silêncio de Isabel

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Isabel dos Santos tornou-se em poucos anos uma figura incontornável da economia portuguesa 

João Vieira Pereira

Isabel do Santos ganhou rapidamente um estatuto invejável. Com pouco mais de 40 anos é a mulher mais rica de África e uma das mais ricas do mundo. Não é fácil calcular a sua fortuna, mas isso também pouco importa. O que interessa mesmo são os planos de que a empresária tem. Especialmente em Portugal. Ou melhor, para Portugal. E sobre este assunto pouco se conhece sobre a filha do presidente angolano Eduardo dos Santos.

O seu estilo simples apenas é suplantado pelo sua discrição. Sobre como pensa, o que quer, o que ambiciona, há um vazio enorme que a própria faz questão de manter. As aparições públicas são escassas e entrevistas que me lembre só há uma concedida ao Financial Times. E mesmo nessa entrevista é possível retirar pouco sobre as dúvidas que levantei. Ficamos a saber que Isabel dos Santos trabalha sete dias por semana e que o adora fazer. Mas pouco mais.

Só que Isabel dos Santos tornou-se uma das figuras centrais da economia portuguesa. Com influência na banca, telecomunicações e energia. Mas a julgar pela velocidade com que aí chegou, outros sectores irão, um dia, fazer parte do seu portfólio de interesses.

Ainda mais quando a crise que perdura desde 2008 descapitalizou uma classe empresarial nacional que pouco capital já tinha. Neste caso é natural que o seu papel seja cada vez mais relevante. Hoje quando pensamos em alguém que possa investir ou adquirir um qualquer negócio em Portugal o seu nome ocupa sempre os lugares cimeiros. Para quem tem uma influência tão grande o seu silêncio é desconfortável.

Não para Isabel dos Santos, mas para quem a vê aos poucos a comprar partes consideráveis da economia portuguesa. Quando se assume um papel destes aparecem também outro tipo de responsabilidades. Para com os colaboradores, para com os clientes, para com a sociedade. E essa explicação Isabel dos Santos, infelizmente, nunca quis dar.

Os próximos tempos irão assistir ao reforço dos seus investimentos em Portugal. Sempre que Angola precisar de conhecimento Isabel dos Santos estará na linha da frente a comprar empresas que o dominem. E nesse aspeto o futuro da economia portuguesa e de Isabel dos Santos estão muito mais ligados do que se possa julgar.

 

Este artigo é parte integrante da edição de abril da Revista EXAME