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Eurogrupo mantém taxa sobre depósitos bancários no Chipre

Presidente do Eurogrupo defendeu hoje que todos os depósitos nos bancos cipriotas deverão ser taxados.

Daniel do Rosário, correspondente em Bruxelas

O presidente do Eurogrupo considera inevitável que o contributo de Chipre para o seu próprio resgate financeiro passe pela imposição de uma taxa sobre depósitos e não exclui que a mesma incida sobre os depósitos mais pequenos.

A situação em Chipre, e sobretudo a possibilidade de taxar os detentores de contas bancárias na ilha, dominou a primeira aparição de Joeren Dijsselbloem perante a comissão dos assuntos económicos do Parlamento Europeu (PE), esta manhã, em Bruxelas.

"Continuo a pensar que, provavelmente, é inevitável haja algum tipo de taxa no pacote final que acordaremos e espero, tal como muitos membros do Eurogrupo, que seja um pacote justo, que responda à questão da partilha de encargos de uma forma justa", afirmou o ministro das finanças holandês perante os parlamentares.

Dijsselbloem insistiu na necessidade de haver maior justiça na repartição do esforço entre pequenos e grandes depositantes, mas em momento algum exclui que os primeiros fiquem excluídos da solução que venha a ser encontrada: "o que fizemos na sexta-feira era justo, no sentido em que o peso sobre os pequenos depósitos era menor do que sobre os grandes, mas eu pessoalmente gostava de ter visto uma solução mais justa e o Eurogrupo divulgou uma declaração em que diz esperar uma solução que modifique o equilíbrio ainda mais para os grandes depósitos".

O presidente do Eurogrupo justifica a inevitabilidade de Chipre ter que contribuir para o seu resgate pela responsabilidade do sector bancário na atual situação e pela necessidade de evitar que o empréstimo europeu seja demasiado grande e aumente ainda mais a dívida do país, impedindo-o de devolver o dinheiro e de relançar a sua economia. O Eurogrupo decidiu disponibilizar 10 mil milhões de euros, mas o país precisa de 17 mil milhões para evitar a bancarrota. A taxa sobre os depósitos visava recolher 5,8 mil milhões de euros para colmatar este 'buraco'.

"Posso defender fortemente a taxa, pois é uma forma direta de pedir um contributo dos depósitos do sector bancário em Chipre, que é inevitável, se se quiser construir um pacote que não traga mais empréstimos e mais divida para Chipre, além dos 10 mil milhões de euros que já acordámos", acrescentou Dijsselbloem.

O ministro holandês defendeu a taxa bancária insistindo que a mesma é comparável a uma "taxa única sobre o património" e que não tem nada a ver com o esquema de garantia de depósitos, que garante todos os depósitos até 100 mil euros em caso de falência de um banco. O presidente do Eurogrupo estima que "foi estabelecida uma ligação muito infeliz no debate posterior e nos media" entre as duas questões e admite falhas na "comunicação" da decisão: "olhando para trás para o debate iniciado na sexta à noite e sábado de manhã, é claro que devíamos ter demorado mais tempo e explicações desde o início na distinção entre uma taxa única sobre o património e o esquema de garantias de depósitos, (...) que está garantido através de toda a União Europeia".