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Espanhóis do Caixabank respondem a Isabel dos Santos

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Gonzalo Gortazar, administrador executivo do Caixabank

Gustau Nacarino/Reuters

"Não posso deixar de repetir uma mensagem de confiança na atual gestão do BPI. Queremos que no futuro siga assim, com o apoio do Caixabank no desenvolvimento de sinergias. Mas com identidade própria e ações separadas na bolsa Euronext de Lisboa", afirma o administrador executivo do banco catalão.

O administrador executivo do Caixabank, Gonzalo Gortazar, reafirmou esta manhã que o banco catalão pretende que o BPI se mantenha como marca própria, cotado em bolsa em Lisboa, caso a OPA que lançou sobre o banco português avance com êxito.



"Já dissemos que a nossa intenção é que o BPI se mantenha como um banco em bolsa em Portugal e que desenvolvamos sinergias, mas que o BPI tenha a sua própria identidade", disse o responsável do banco catalão, dono de 44,1% da instituição financeira portuguesa.



Gortazar - que falava na sessão de apresentação do plano estratégico do Caixabank para 2015-2018 - deixou também uma mensagem de confiança à equipa de gestão do BPI, liderada por Fernando Ulrich. "Não posso deixar de repetir uma mensagem de confiança na atual gestão do BPI. Queremos que no futuro siga assim, com o apoio do Caixabank no desenvolvimento de sinergias. Mas com identidade própria e ações separadas na bolsa Euronext de Lisboa", afirmou.



Recorde-se que esta segunda-feira Isabel dos Santos, segunda maior acionista do BPI através da empresa Santoro, propôs o início de conversações entre o BPI e o BCP com vista a uma fusão. O objetivo da filha do Presidente angolano será o de travar a OPA em curso com uma proposta que seja mais atrativa para os acionistas.



Quantos aos planos de internacionalização do Caixabank, o presidente do banco catalão, Isidre Fainé, confirmou que a OPA sobre o restante capital do BPI é o único projeto "concreto" que tem em cima da mesa. "De momento, o que temos em cima da mesa é Portugal, com este processo (a intenção de lançar uma OPA sobre o resto do capital do BPI) e depois logo lidaremos com os que se seguirem. Mas de momento não temos mais nada em concreto", disse.



Fainé também reforçou a ideia de que o primeiro passo do Caixabank é avançar para o controlo do BPI, algo que é independente de um interesse - já assumido - pelo Novo Banco, a parte boa do antigo Banco Espírito Santo. "Pode ser que se avançar a OPA sobre o BPI estudemos o Novo Banco, mas isso é uma possibilidade que existe, tal como existe a possibilidade de não o estudar", disse o presidente do Caixabank.



Ainda assim, salientou, as decisões do banco catalão terão em conta os melhores interesses do BPI. "O que está claro é que queremos o melhor para o BPI. As decisões que saiam do conselho de administração seguem esta linha: se é bom para o BPI então estamos a seu lado", realçou Isidre Fainé.



No dia 17 de fevereiro, o Caixabank anunciou a intenção de lançar uma OPA sobre os 55,9% do capital do BPI que ainda não detém, mas enumerando duas condições: conseguir pelo menos 50,01% do banco português e obter o desbloqueio dos direitos de voto no BPI, que lhe estão limitados a 20%.



Ou seja, o banco catalão ofereceu 1,329 euros por cada ação do BPI para obter pelo menos mais 5,9% do capital do banco português, mas tem de conseguir três quartos dos votos (75%), numa futura assembleia-geral de acionistas do BPI, a favor da desblindagem dos estatutos. Nessa votação, o Caixabank ainda votará com 20% dos votos.



A Santoro, de Isabel dos Santos, é outra das grandes acionistas do BPI, com 18,6% do capital.