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Portugueses querem pagar menos eletricidade devido ao impacto ambiental das renováveis

Universidade do Minho percorreu Portugal de norte a sul e perguntou às populações mais afetadas pelas infraestruturas ligadas às energias renováveis se gostariam de ser recompensadas pelo impacto ambiental. Desconto médio solicitado varia entre os €38 e os €95 por mês.

A maioria dos portugueses é favorável à instalação de parques eólicos, centrais solares fotovoltaicas, barragens ou centrais de biomassa. No entanto, e segundo um estudo pioneiro a nível nacional realizado pela Universidade do Minho (UM), os moradores de zonas mais próximas das explorações de fontes renováveis consideram que deveriam ter uma redução significativa nas suas faturas de eletricidade, sobretudo devido aos impactos ambientais de que são vítimas.

Lígia Pinto, professora na UM e coordenadora deste estudo, diz ao Expresso que, em média, os portugueses moradores junto a instalações renováveis exigem, no caso da proximidade de eólicas, um abatimento de 37,9 euros/mês na fatura de eletricidade. Se estiverem perto de barragens, o valor exigido é de 44 euros/mês; 33,4 euros mês para as centrais de biomassa e, no máximo das exigências, 95 euros/mês de abatimento na fatura mensal para os moradores próximos de centrais solares fotovoltaicas.

O que se pretende, segundo aquela responsável, é que "o Governo passe a integrar o valor monetário daqueles impactos sobre o bem-estar das populações locais quando decidir investir em projetos semelhantes".

O estudo da UM não pretende dizer aos decisores se é mais eficiente investir nas renováveis por contraponto a outras. "O objetivo é fornecer mais um elemento para integrar a decisão política", justifica a investigadora que coordenou o estudo.

Lígia Pinto explica que o estudo decorreu nos parques eólicos da serra d'Arga (Caminha), das Terras Altas de Fafe e da serra da Padrela (Vila Pouca de Aguiar), bem como nos parques fotovoltaicos da Amareleja (Moura), Brinches (Serpa) e Ferreira do Alentejo, nas barragens da Bemposta e Picote (Douro internacional) e na barragem prevista para Almourol (Vila Nova da Barquinha), além de algumas centrais de biomassa dedicadas (florestal). O trabalho incluiu inquéritos nacionais, entrevistas presenciais, grupos de foco e recorreu a métodos de economia experimental, entre outros.

Em termos de conclusões preliminares, os residentes identificaram impactos negativos daquelas estruturas, sobretudo para a fauna e flora locais.

Nas eólicas, as populações do norte, alvo de maior concentração de aerogeradores, sentiram-se mais incomodadas pelo ruído e impacto visual. "Sentem alguma justiça em ser compensados por viverem junto a algo que produz benefícios ambientais para todos", refere Lígia Pinto.

Nas fotovoltaicas, os moradores acham que devem ser ressarcidos dos impactos provocados em particular pelo reflexo da luz e pela ocupação do espaço: "Na Amareleja, chamam-lhe a 'floresta de ferro', pois havia ali um olival".

Sobre as barragens, designadas "gigantes de betão", as opiniões divergem: "dizem que altera a paisagem e reduz áreas agrícolas, patrimoniais e de lazer, mas atrai em simultâneo turismo", esclarece Lígia Pinto. No caso de Almourol, em discussão pública, a maioria dos populares "até desconhecia estar em zona que poderia eventualmente ser alagada".

No geral, conclui a investigadora da UM, as pessoas inquiridas consideram que, além de haver benefícios ambientais decorrentes das renováveis, Portugal tem excelentes condições para produção de energia limpa.