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Painéis solares em Abrantes conseguem apoio financeiro

Oito meses depois de se ter candidatado a apoios estatais, o projecto da RPP Solar recebe finalmente incentivos de 128 milhões de euros.

Vítor Andrade (www.expresso.pt)

A RPP Solar, do empresário Alexandre Alves, e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), representada pelo seu presidente, Basílio Horta, assinaram ontem o contrato de apoio financeiro e fiscal ao projecto que a empresa está a construir em Abrantes.

Trata-se do maior investimento privado em curso em Portugal (€1052 milhões), vai criar 1900 postos de trabalho directos e aguardava há oito meses por uma decisão oficial no que respeita a apoios estatais. Isto apesar de ter sido considerado PIN - Projecto de Interesse Nacional ainda pelo anterior Governo "e de estar estipulado que todas as entidades intervenientes no processo teriam 30 dias para se pronunciarem sobre eventuais apoios", nota o promotor do projecto, Alexandre Alves.

Entre apoios fiscais, de €70,5 milhões, e financeiros, de €57,4 milhões, o empresário acaba por arrecadar €128 milhões, ou seja, cerca de 12% do investimento inicialmente anunciado e considerado pela AICEP. No entanto, o projecto global deverá ascender aos €1052 milhões.

Tratamento desigual 

"Não entendo porque é que este projecto é apoiado apenas naquela percentagem quando alguns (como um recentemente anunciado para Évora) recebem apoios da ordem dos 50% do investimento", critica Alexandre Alves. Confessa-se desiludido e diz claramente que esperava mais apoio oficial ao seu projecto.

Quanto aos porquês, só encontra uma explicação: "Temo que os analistas do projecto não tenham percebido o seu verdadeiro alcance". E lembra ainda que terá perto de 86% de incorporação nacional e que toda a produção será exportada. Aliás, sublinha o empresário, "toda a produção até ao final deste ano já está contratualizada para países como a França, Alemanha, Itália, Espanha e República Checa".

Alexandre Alves garante que esta "desilusão" quanto a apoios não porá minimamente em causa a viabilidade do projecto, até porque, recorda, "contamos com parceiros de peso como a multinacional alemã Siemens". Além disso, o empresário assevera que tem o financiamento bancário assegurado desde o início do projecto, para além de capitais próprios gerados, sobretudo na actividade imobiliária onde apostou forte nos últimos dez anos, quer em Portugal quer em Espanha.

Entre os quadros superiores já recrutados, a RPP Solar foi buscar vários desempregados da Qimonda Solar, de Vila do Conde, e à Delphi, recentemente encerrada em Ponte de Sor. Dos 1900 postos de trabalho directos que a RPP vai criar, 300 serão altamente qualificados e 50 irão desenvolver a sua actividade só na vertente de Investigação & Desenvolvimento.

A primeira unidade irá produzir painéis solares fotovoltaicos. Seguir-se-á uma unidade de produção de células e as chamadas wafers ('bolachas' de silício). Por último, a RPP Solar evoluirá para o fabrico conjunto de silício e lingotes, que são matérias-primas essenciais ao fecho do ciclo da produção de painéis.