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História do maior consórcio eólico português leva um ponto final

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Concursos do Governo Sócrates impulsionaram energia eólica em Portugal.

José Carlos Carvalho

Dez anos depois, a Eneop vai ser desmembrada: a EDP, Enel e Generg irão repartir entre si os parques eólicos que construíram ao abrigo do concurso lançado em 2005 pelo Governo de Sócrates.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Eneop - Eólicas de Portugal consolidou-se ao longo da última década como o mais ambicioso projeto de energia eólica do país, pondo de pé um conjunto de parques com 1.200 megawatts (MW) de potência, através da união de esforços entre a EDP Renováveis, a Enel Green Power e a Generg. Mas a história do maior consórcio eólico nacional, que começou a ser escrita em 2004, está prestes a levar um ponto final.

A Autoridade da Concorrência (AdC) foi notificada nas últimas semanas de um conjunto de operações através das quais os acionistas da Eneop irão adquirir os ativos do consórcio, passando depois cada uma das empresas a gerir os parques eólicos autonomamente. Algo que já estava previsto no acordo parassocial da fundação da Eneop.

"Ligámos à rede elétrica o último megawatt em Janeiro. A repartição de ativos é a continuação do que estava estipulado desde o início do consórcio", explicou ao Expresso o presidente da Eneop, Aníbal Fernandes. "Estamos desde Janeiro a tratar dos pormenores da separação de ativos", acrescentou o mesmo responsável, notando que esse é um processo jurídico "muito complexo".

A separação de ativos da Eneop dará a cada uma das empresas fundadoras do consórcio uma parcela em linha com as respetivas participações acionistas, já que ao longo do desenvolvimento do projeto todos os investidores aplicaram recursos financeiros proporcionais ao peso que tinham na Eneop. A EDP Renováveis e a Enel Green Power (companhia italiana que herdou os negócios da espanhola Endesa) têm cada uma 40% da Eneop. Os restantes 20% são da Generg, empresa controlada pelo fundo Novenergia.

A repartição de parques eólicos não terá como único critério a potência total de cada empreendimento. O processo também terá em conta o valor relativo de cada parque, dado que uns têm uma rentabilidade maior que outros, por terem localizações em que o vento é mais abundante.

Certo é que a operação de separação de ativos vem pôr um ponto final na história de um consórcio... que assim deixará de o ser. A Eneop não só juntou três empresas distintas na construção e gestão de parques eólicos como também instalou em Portugal um "cluster" industrial para a produção de componentes para a produção de energia a partir do vento.

O projeto da Eneop teve como principal parceiro industrial a alemã Enercon, que passou a produzir em Portugal, na região de Viana do Castelo, os equipamentos destinados aos parques da Eneop, desde as pás eólicas aos aerogeradores, passando pelas torres. Na vertente industrial do consórcio Eneop estiveram envolvidas também várias empresas portuguesas, como a A. Silva Matos e a CME, entre outras.

Findo o caminho conjunto da Eneop, será agora tempo de cada membro do consórcio prosseguir isoladamente os seus negócios. Incluindo a gestão dos parques construídos ao abrigo do concurso eólico que o Governo de José Sócrates lançou em 2005 e cuja primeira fase foi ganha no ano seguinte pela Eneop. O presidente do consórcio não tem dúvidas de que o balanço de uma década de parceria é positivo. "Superámos todos os compromissos assumidos", aponta Aníbal Fernandes.