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EDP vende €500 milhões de défice tarifário

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António Mexia promoveu os créditos tarifários em vários mercados europeus.

Nuno Fox

A elétrica presidida por António Mexia desfez-se de parte da dívida tarifária relativa a 2014, na maior operação do género desde 26 de Março do ano passado.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP vendeu esta quarta-feira uma parcela de défice tarifário do sector elétrico no montante de € 500 milhões, tendo esses créditos sido cedidos à Tagus, empresa de titularização gerida pelo Deutsche Bank.

A tranche de dívida tarifária faz parte de um pacote de €1.250 milhões de défice tarifário criado em 2014 e que resultou do sobrecusto associado à produção em regime especial (PRE), onde se enquadra a eletricidade proveniente de energias renováveis, como a eólica, e da cogeração.

O sobrecusto em questão será recuperado por via da sua amortização nas tarifas a pagar pelos consumidores portugueses nos próximos cinco anos.

Segundo informou a EDP em comunicado, a Tagus financiará a aquisição desta parcela de défice tarifário com uma outra emissão de dívida que terá um cupão de 1,99%.

A titularização desta fatia de €500 milhões surge uma semana depois do arranque de um "roadshow" para promover estes créditos junto de investidores de Londres, Paris, Munique, Amesterdão, Madrid e Lisboa.

Na campanha feita nestas praças financeiras para tentar alienar o défice tarifário de 2014 a EDP contou com a coordenação da StormHarbour e dos bancos Santander Totta, Deutsche Bank e JP Morgan.

A operação agora anunciada é a maior desde 26 de Março do ano passado, quando a EDP comunicou ao mercado um encaixe de €750 milhões com a venda do défice tarifário de 2013, de um total de €1,1 mil milhões que a elétrica tinha por receber.

Depois dessa titularização de há um ano a EDP já fez outras operações semelhantes, mas de menor dimensão, recebendo €200 milhões em junho, €202 milhões a 15 de dezembro e outros €229 milhões a 22 de dezembro.

Deste modo, no espaço de um ano a EDP já conseguiu encaixar quase €1,9 mil milhões com a venda de défice tarifário de que era credora, maioritariamente no sistema elétrico português mas também, em menor escala, no sector elétrico espanhol.