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EDP quer captar este ano mais 500 milhões de euros de investimento chinês

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Alberto Frias

O presidente executivo da EDP, António Mexia, foi reconduzido num quarto mandato de três anos, e revelou que nos próximos meses serão acordados novos negócios de venda de ativos à China Three Gorges.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP tenciona chegar ao final deste ano com cerca de 1,8 mil milhões de euros de investimento da China Three Gorges (CTG) nos seus ativos, mais 500 milhões de euros do que o montante que a CTG, até ao momento, já acordou investir em projectos da EDP.

Em conferência de imprensa após a assembleia geral de acionistas desta terça-feira, o presidente executivo da EDP, António Mexia, revelou que "o objetivo é até ao final do ano dar visibilidade para 1,7 a 1,8 mil milhões de euros dos 2 mil milhões previstos [de investimento da CTG na EDP]".

António Mexia notou que no âmbito da parceria estratégica firmada entre a EDP e a CTG em dezembro de 2011 "não há nenhuma razão" para alterar as metas definidas. "Os objetivos de fazermos melhor e de crescermos mais juntos do que separados mantêm-se", referiu o gestor, que nesta assembleia geral foi reconduzido para mais um mandato de três anos, até 2017.

A propósito da sua entrada num quarto mandato consecutivo como presidente executivo (CEO) da EDP, António Mexia comentou que a duração dos mandatos dos gestores deve depender de vários fatores e varia de caso para caso.

"Depende claramente da vontade dos acionistas e também da vontade da pessoa, mas enquanto se for capaz de injetar a energia necessária e de entregar resultados não há limites. Há quem possa estar desatualizado ao fim de seis meses e quem fique desatualizado ao fim de seis anos", observou.

Contribuição extraordinária: à espera do Orçamento do Estado

No que respeita à contribuição extraordinária sobre o setor energético (CESE), que o atual Governo anunciou querer prolongar até 2018, embora em montantes menores, António Mexia evitou fazer grandes comentários, referindo que a EDP irá esperar para ver o que o Governo de facto irá decidir quando aprovar o Orçamento do Estado para 2016.

"Sempre considerámos que medidas excecionais e temporárias são isso mesmo: excecionais e temporárias", lembrou o CEO da EDP, que já afirmou que se a CESE se prolongasse além de 2015 o grupo admitia vir a contestar em tribunal.

"Esta decisão [de diminuir o montante da CESE em 2016, 2017 e 2018, extinguindo-a em 2019] vai no bom caminho, porque reconhece que as medidas extraordinárias têm de desaparecer. Agora gostaríamos que fosse mais rápido", comentou António Mexia, acrescentando que qualquer posição formal da EDP sobre o assunto só será feita "sobre qualquer coisa de concreto", pelo que o grupo irá aguardar o próximo Orçamento do Estado.

Fusão do BCP com o BPI é para discutir sem tabus

António Mexia também não quis alongar-se em comentários sobre uma eventual fusão entre o BCP (de que a EDP é acionista) e o BPI, realçando que essa hipótese "deve e tem de ser analisada pelo BCP, mas o BCP não está sozinho".

"Todas as ideias devem ser discutidas sem tabus para que se possa tirar conclusões", referiu o presidente executivo da EDP na conferência de imprensa após a assembleia geral da elétrica.

A assembleia de acionistas da EDP, que durou mais de cinco horas, aprovou todos os pontos da ordem de trabalho, incluindo a eleição dos órgãos sociais. A lista do Conselho Geral e de Supervisão (CGS), presidido por Eduardo Catroga, teve 96,87% de votos favoráveis, a nova mesa da assembleia geral, liderada por António Vitorino, recolheu o "sim" de 98,81% dos acionistas participantes e a nova composição do conselho de administração executivo, que continuará a ser presidido por António Mexia, teve voto favorável de 99,63%.