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EDP duplica produção de eletricidade a partir do carvão

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EDP apresentará os resultados do primeiro trimestre a 7 de maio.

Alberto Frias

No primeiro trimestre do ano a elétrica portuguesa disparou o recurso à energia gerada a partir do carvão, que se consolidou como terceira fonte de eletricidade do grupo, atrás da energia hídrica e da eólica.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP registou no primeiro trimestre deste ano uma diminuição global de 9% na sua produção de eletricidade, pressionada por menores volumes de energia hídrica e eólica, mas nas centrais termoelétricas do grupo a atividade disparou. A produção de eletricidade da EDP a partir do carvão mais do que duplicou no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

O fenómeno está associado, por um lado, à menor disponibilidade de recursos renováveis, como o vento, e, por outro lado, ao reduzido custo dos combustíveis fósseis, entre os quais o carvão, situação que já levou a EDP a assumir, há uns meses, que a produção termoelétrica a partir do carvão seria economicamente interessante.

Entre janeiro e março a EDP viu as suas centrais a carvão em Portugal e Espanha aumentarem a produção 103%, para 4.306 gigawatts hora (GWh), com mais de metade dessa energia a ser gerada na central a carvão de Sines (que opera ao abrigo de um contrato de aquisição de energia de preços pré-definidos) e o restante de outras unidades que o grupo tem em Espanha e que funcionam em regime de mercado.

Também a produção de eletricidade a partir de centrais de ciclo combinado a gás natural teve um crescimento expressivo, de 160%, mas com um contributo bem menor do que o das centrais a carvão, já que as termoelétricas a gás da EDP apenas produziram 411 GWh no primeiro trimestre (menos de um décimo da energia gerada a partir do carvão).

A duplicação da produção a carvão da EDP acontece depois de em 2014 ter apresentado um crescimento de apenas 1,4% face ao ano anterior, segundo os números publicados pela elétrica.

Desta forma, o carvão reforçou o seu peso no perfil de produção do grupo, mas a matriz energética da companhia presidida por António Mexia continua a ser essencialmente renovável: as energias limpas responderam por 68% da produção da EDP no primeiro trimestre, segundo os dados operacionais reportados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Além da eólica (5.786 GWh produzidos até março), da hídrica (5.437 GWh) e do carvão (4.306 GWh), a EDP gerou eletricidade também a partir de centrais a gás natural (411 GWh) e nucleares (311 GWh), entre outras fontes com um peso residual nos volumes do primeiro trimestre.

A conjuntura de baixos preços do carvão está a sustentar o recurso a este combustível para a produção de eletricidade. No seu relatório e contas de 2014 a EDP evidenciava a competitividade dessa matéria-prima.  "Apesar da ligeira recuperação do preço do CO2 em 2014, este continua suficientemente baixo para que, aliado aos preços do carvão e do gás natural, a produção elétrica a carvão se tenha mantido mais competitiva do que as centrais de ciclo combinado a gás natural na generalidade dos mercados europeus, dificultando assim o caminho de descarbonização preconizado pela União Europeia (UE)", analisava a EDP no seu relatório anual.

A EDP não é a única companhia a produzir eletricidade a partir de carvão em Portugal. Também a Tejo Energia (empresa que explora a central do Pego, em Abrantes, e que tem como acionistas a International Power, Endesa e EDP) recorre a este combustível. Mas a central da EDP em Sines, com uma potência 1.180 megawatts (MW), é significativamente maior que a da Tejo Energia, com 628 MW.

Na semana passada a espanhola Iberdrola também publicou o seu balanço energético do primeiro trimestre, revelando que a sua produção global recuou 7,6%, mas a eletricidade gerada a partir do carvão aumentou 8,6%.