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Distribuidoras de gás querem investir 273 milhões de euros nos próximos cinco anos

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Distribuidoras de gás têm planos para aumentar a extensão da rede.

José Ventura

A Galp, EDP, Tagusgás e Sonorgás já submeteram ao regulador da energia os seus planos de investimento até 2019, que contemplam a ampliação das suas redes de distribuição de gás natural.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

As empresas de distribuição de gás natural propuseram à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) avançar com investimentos de 273 milhões de euros ao longo dos próximos cinco anos, para consolidar e melhorar a rede de gás existente em Portugal.

Os planos de investimento nas redes de gás estarão agora em consulta pública, após a qual o regulador da energia dará o seu parecer sobre as propostas feitas pelas empresas concessionárias da distribuição de gás natural em Portugal.

O investimento mais elevado é proposto pela EDP Gás Distribuição, que pretende aplicar entre 2015 e 2019 um total de 128,6 milhões de euros. A Galp, por seu turno, fez à ERSE uma proposta de investimento de 118,6 milhões de euros. Os projetos entregues ao regulador contemplam ainda melhorias na rede orçamentadas em 16,9 milhões de euros no caso da Tagusgás e 8,8 milhões na Sonorgás.

A EDP Gás Distribuição tem uma concessão de gás natural no litoral Norte do país, abrangendo 29 concelhos dos distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo, com uma extensão total da sua rede de 4.109 quilómetros. Do total de investimento proposto pela empresa para os próximos cinco anos, 107,8 milhões de euros contemplam o desenvolvimento do negócio, incluindo a construção de mais 765 quilómetros de rede.

No que toca à Galp, que controla oito distribuidoras regionais de gás natural, o grupo concentra também a maior parte do investimento proposto no desenvolvimento do negócio, que inclui a ligação de novos clientes e a construção de mais 654 quilómetros de rede nas suas áreas de concessão de gás. O investimento da Galp rondará em média 24 milhões de euros por ano, um valor significativamente abaixo do registado no passado: em 2008 a Galp tinha investido 80 milhões de euros na sua rede de gás natural, valor que foi descendo nos anos seguintes, mas só em 2013 ficou abaixo dos 30 milhões.

A Tagusgás, concessionária da distribuição de gás natural nos distritos de Santarém e Portalegre, propõe um investimento global nos próximos cinco anos de 16,9 milhões de euros, pouco mais de metade do valor aplicado no período entre 2008 e 2013.

Já a Sonorgás, que distribui gás natural em Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Arcos de Valdevez, Póvoa de Lanhoso e Peso da Régua, apresentou à ERSE uma proposta de investimento de 8,8 milhões de euros para os próximos cinco anos, a repartir pelas várias áreas da sua concessão.

Entre a racionalidade e a necessidade de expansão

Várias empresas sublinham que os planos agora entregues à ERSE são pautados por uma lógica de redução do investimento. A Sonorgás, por exemplo, nota que "reviu detalhadamente os investimentos previstos para os próximos anos, num exercício de adequação do plano de expansão às dificuldades de financiamento, exigências do sistema e atual conjuntura económica".

A Galp, por seu turno, refere que "as prioridades definidas, motivadas pela racionalidade económica, condicionaram a expansão prevista para as infraestruturas de distribuição para novos polos geográficos". A empresa diz mesmo que nas áreas com menos densidade populacional e industrial "não é oportuno levar gás natural a alguns concelhos para não agravar o custo de investimento por cliente abastecido", já que isso teria, segundo a Galp, um impacto na tarifa nacional de distribuição de gás que é aprovada pela ERSE.

A EDP, no entanto, tem um entendimento distinto. A empresa considera que na sua área de concessão a rede de distribuição de gás natural "ainda não atingiu a maturidade". Como tal, refere a EDP, a sua concessão no Norte do país "ainda terá níveis de crescimento acima da média global".

Os planos apresentados por cada uma das empresas terão de ser aprovados pelo Estado, enquanto autoridade concedente, para que os investimentos propostos possam ser realizados e elegíveis para passar a constituir o ativo das concessões. Recorde-se que a maior parte da receita das distribuidoras de gás natural resulta da remuneração (estipulada pelo regulador da energia) dos investimentos feitos na rede.