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Combustíveis fósseis receberam quatro vezes mais subsídios que as renováveis em 2013

Os subsídios pagos aos combustíveis fósseis ascenderam a 442,3 mil milhões de euros em 2013, um valor muito acima do que o mundo gastou no apoio às renováveis.

Em todo o mundo foram gastos 442,3 mil milhões de euros em subsídios aos combustíveis de origem fóssil, como o carvão, o petróleo e todos os seus derivados. Um valor que, nas contas da Agência Internacional da Energia (AIE), supera em mais de quatro vezes o que foi atribuído à indústria das energias renováveis, contabilizados em 96,5 mil milhões de euros.

No Médio Oriente, por exemplo, a AIE garante que "são usados por dia quase dois milhões de barris de petróleo para gerar eletricidade quando, na ausência de subsídios, as principais tecnologias de energia renovável seriam competitivas com tradicionais refinarias petrolíferas".

Ou seja, senão fosse o Estado saudita a subsidiar a geração de eletricidade a partir de fuel, podiam ser utilizadas formas de geração elétrica a partir de fontes renováveis (com destaque para a eólica) pois estas já estão em condições de competir, em preço, com as centrais térmicas tradicionais.

A explicação é dada por Carlos Pimenta, gestor e especialista em questões energéticas, que sublinha ainda que se gastam biliões desde subsidiação à extração petrolífera, a toda a logística que envolve o transporte do petróleo e a sua transformação. Para além disso ainda há países como  Irão ou a Indonésia que subsidiam os combustíveis vendidos ao consumidor final. Ou seja, naqueles países - "e há muitos mais a fazer isso", sublinha Carlos Pimenta -, ninguém paga o preço real que custa a fazer um litro de gasóleo ou de gasolina.

A AIE refere ainda no seu relatório anual sobre a energia no mundo, hoje divulgado em Londres, que "reformar os subsídios à energia não é fácil e não há uma fórmula única para o sucesso. No entanto, como demonstram alguns dos nossos casos de estudo realizados em vários países é evidente que se torna necessário um calendário para a reforma e avaliação cuidadosa dos efeitos destas políticas".