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Com vento a ajudar, renováveis cobriram todo o consumo elétrico nacional

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FOTO NUNO BOTELHO

Foi num dia ventoso, com as energias limpas a cobrir 90% do consumo elétrico nacional, chegando a 100% de madrugada, que os líderes do maior consórcio eólico nacional fizeram o balanço do investimento feito desde 2006. E manifestaram ao Governo a sua vontade de continuar a investir.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

São 10h30 e no parque eólico da Lourinhã o vento sopra com tal força que ameaça levantar a tenda onde mais de uma centena de convidados aguardam a cerimónia de fecho do projeto Eneop. O maior consórcio eólico português irá dentro de momentos, com a presença do ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, fazer o balanço de quase uma década de vida de uma aliança que juntou a EDP Renováveis, a Endesa e a Generg, além da alemã Enercon, num investimento superior a 1,8 mil milhões de euros.

Por esta hora, as turbinas eólicas na região Oeste do país giram na máxima força. Os dados da REN - Redes Energéticas Nacionais confirmam que as energias limpas estão em alta: quase 90% do consumo elétrico em Portugal, a meio da manhã, está a ser abastecido a partir de fontes renováveis. E na última madrugada, por volta das 5h, as energias limpas até cobriram a totalidade do consumo nacional. Não é inédito. Já aconteceu. Mas vem sendo um fenómeno cada vez mais frequente, dada a profusão de torres eólicas no território nacional.

A abundância de vento faz esvoaçar as gravatas dos convidados da Eneop na Lourinhã, mas não desvia os oradores dos seus propósitos: garantir que estão disponíveis, e interessados, em continuar a apostar nas energias renováveis em Portugal.

Aníbal Fernandes, presidente executivo da Eneop, faz um balanço positivo do projeto que desde 2006 permitiu investir 1,6 mil milhões de euros em 48 parques eólicos em Portugal, além de 223 milhões de euros num conjunto de fábricas na região de Viana do Castelo que criaram quase 2 mil postos de trabalho. "Deixamos ao país um legado que nos enche de orgulho, uma enorme fileira industrial", afirma o gestor.

João Manso Neto, presidente da EDP Renováveis (que detém 40% da Eneop), sublinha que "o projeto foi bem construído desde o início". "Isto não pode ser considerado só um fecho, temos que olhar para isto como um processo de crescimento", acrescenta Manso Neto, fazendo notar que o consórcio está na disposição de "continuar o crescimento das renováveis, em moldes concorrenciais".

O ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, acredita que a concretização dos parques eólicos da Eneop (que instalou 1.335 megawatts de potência em 48 parques de Norte a Sul do país) corresponde a uma segunda etapa da aposta portuguesa na energia a partir do vento. Mas segundo o governante Portugal tem condições para ir mais além e entrar agora numa terceira fase. "A terceira fase coloca Portugal como um grande fornecedor de eletricidade renovável para a Europa", vaticina Jorge Moreira da Silva.

Esta nova etapa, que ainda não arrancou, aguarda que tecnicamente as redes elétricas europeias estejam mais ligadas com a Península Ibérica. Foi nesse sentido, aliás, que Portugal, Espanha, França e a Comissão Europeia se reuniram recentemente para firmar um compromisso de investimento no reforço das interligações elétricas entre Espanha e França.

O reforço da rede entre Espanha e França terá benefícios para Portugal: o país poderá investir em nova capacidade eólica visando a exportação de energia para o centro da Europa, através de Espanha. "Na área da energia eólica temos pelo menos mais 2.000 megawatts para fazer no médio prazo em Portugal", estima Aníbal Fernandes.

A construção dos parques eólicos terminou agora, no que respeita ao consórcio Eneop. Mas em Viana do Castelo fica o "cluster" industrial da Enercon, que estará, pelo menos para já, totalmente orientado para as exportações de torres, turbinas e pás eólicas. E segundo os responsáveis da companhia alemã Portugal esta é uma operação para continuar. "Faremos tudo para proteger os nossos empregos em Portugal", assegurou esta terça-feira o líder da Enercon, Hans-Dieter Kettwig. "Exportaremos mais a partir de Viana do Castelo", prometeu o gestor alemão.