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Dois terços dos projetos para novo plano de eficiência energética são chumbados

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A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e a Direção-Geral de Energia aprovaram 76 candidaturas, entre um total de 223, ao novo ciclo de subsídios a projetos de eficiência, que disponibiliza 11,5 milhões de euros

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O novo plano de promoção da eficiência no consumo de energia elétrica (PPEC), que abrangerá o período de 2017 e 2018, vai contar com um orçamento de 11,5 milhões de euros, mas dos 223 projetos de empresas, associações e outras entidades que chegaram ao regulador da energia praticamente dois terços ficaram pelo caminho.

Segundo um relatório publicado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a nova edição do PPEC recebeu 223 medidas de 79 promotores, que implicariam investimentos de 61,6 milhões de euros. Mas no processo de avaliação conduzido pela ERSE e pela DGEG apenas 76 iniciativas tiveram “luz verde”.

O PPEC é um programa promovido há vários anos pelo regulador da energia para incentivar projetos de eficiência energética e sensibilização dos consumidores para a redução dos seus gastos. O orçamento provém dos proveitos globais do sistema elétrico, isto é, é suportado pelas tarifas de eletricidade pagas pela generalidade dos consumidores portugueses.

Entre os 76 projetos agora aprovados, mas que carecem ainda de homologação, há 26 medidas intangíveis (sobretudo campanhas de informação e sensibilização) e 50 ações tangíveis (cujos impactos, nomeadamente na redução dos consumos em áreas específicas, poderão ser medidos).

No sector residencial, por exemplo, foram aprovados novos projetos de promoção da iluminação LED da iniciativa da Iberdrola (no valor de 669 mil euros) e da EDP Comercial (325 mil euros), bem como a distribuição de multitomadas inteligentes por parte da EDP Serviço Universal (a financiar com 802 mil euros) e ainda outras medidas (promovidas pela EDP e pela Iberdrola), como o financiamento de termoacumuladores eficientes e de bombas de calor e de sensores de controlo de iluminação em elevadores.

No leque das medidas tangíveis, foram ainda aprovados projetos para financiar a instalação de luzes LED nos semáforos (quase meio milhão de euros para um projeto da EDP), troca de LED em hotéis (298 mil euros para a empresa HEN) e soluções mais eficientes em sistemas de frio comercial (114 mil euros para um projeto da Iberdrola). Na agricultura e indústria o projeto mais caro agora aprovado é uma iniciativa da EDP para instalar variadores eletrónicos de velocidade, com um financiamento de 1,1 milhões de euros.

Entre as diversas iniciativas que acabaram por ser chumbadas estão, por exemplo, um projeto de 916 mil euros da Galp Energia para promover a eficiência energética na indústria de plásticos e moldes, várias ações da HEN para instalar luzes LED nos bombeiros, em escolas, em IPSS e em parques de estacionamento (a EDP também viu chumbada uma campanha de iluminação LED para parques de estacionamento), entre outros.

A maior parte das candidaturas não aprovadas consistia em medidas intangíveis, segundo o relatório da ERSE.