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EDP acelera crescimento no negócio dos painéis solares

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Tiago Miranda

A EDP contratou com os seus clientes 4000 instalações fotovoltaicas em 2015 e deverá este ano instalar mais 6000 equipamentos, no âmbito da estratégia de diversificação de receitas do grupo no mercado residencial

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O negócio de venda e instalação de painéis solares da EDP é ainda um nicho de mercado, mas tem conseguido adesão crescente. “Devemos terminar 2016 com cerca de 10 mil sistemas instalados, em termos acumulados”, revelou esta segunda-feira o presidente da EDP Comercial, Miguel Stilwell.

A EDP Comercial registou em 2015 a instalação de cerca de 4000 sistemas fotovoltaicos junto dos seus clientes, a que se somarão outros 6000 equipamentos este ano, informou Miguel Stilwell num encontro com a imprensa para fazer um balanço da atividade da empresa do grupo EDP para o mercado liberalizado.

A EDP opera no mercado livre desde o seu arranque, há 10 anos. Em 2006, quando a liberalização começou no sector elétrico português, a EDP registava 19 mil clientes liberalizados, um número que foi crescendo de ano para ano, dando um salto significativo em 2012, para 833 mil clientes no mercado livre.

A perspetiva da empresa para 2016 é fechar o ano com mais de quatro milhões de clientes residenciais abastecidos no mercado liberalizado de eletricidade, além de 600 mil consumidores de gás natural.

A aposta na venda e instalação de painéis solares foi uma das decisões que a gestão da EDP Comercial tomou para diversificar as suas receitas, num mercado que, apesar do elevado volume, tem gerado margens de lucro relativamente curtas. O essencial dos ganhos do grupo EDP tem vindo de outras áreas de negócio fora do mercado liberalizado, como a produção de energia e a distribuição (regulada) de eletricidade.

Miguel Stilwell não detalhou qual a margem de lucro da EDP no negócio dos painéis solares, comentando apenas ser “uma margem normal de mercado” e lembrando que a empresa tem de ser competitiva nas condições contratuais que oferece para conseguir captar os investidores para este tipo de solução.

Outra fonte alternativa de receita em que a EDP Comercial tem apostado é o serviço Funciona, através do qual os clientes pagam 7,9 euros por mês (com desconto de 50% nos primeiros três meses) e ficam com acesso a serviços de reparações domésticas e inspeções às suas instalações. Esta segunda-feira a EDP inicia uma nova campanha do Funciona através da qual a mensalidade passa a incluir serviços urgentes de reparação.

Miguel Stilwell revelou ainda esta segunda-feira que a EDP Comercial passará a disponibilizar aos clientes, já em outubro, uma nova fatura, que foi trabalhada durante os últimos meses para apresentar ao consumidor informação mais clara sobre o custo das várias rubricas de despesa e outros elementos tentando simplificar a leitura do documento. No final de outubro a empresa lançará ainda uma fatura eletrónica interativa, que substituirá o modelo hoje usado, que replica em PDF a fatura em papel.

No capítulo do relacionamento com os clientes, o presidente da EDP Comercial refere que a empresa teve em julho o nível mais baixo de sempre de reclamações, o que Miguel Stilwell crê ser um resultado do investimento que o grupo tem feito nos processos e sistemas de atendimento, bem como da consolidação do processo de liberalização do mercado.

Processo das tarifas sociais ainda em curso

Sobre o processo que opõe a EDP à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), em que o regulador aplicou à empresa uma coima de 7,5 milhões de euros por infrações ligadas ao acesso de clientes à tarifa social, Miguel Stilwell referiu que não há para já novidades, continuando o caso em tribunal.

Há dias, a ERSE anunciou um acordo com a Galp que permitiu à empresa uma redução substancial da coima a pagar pela Galp também por infrações no domínio da tarifa social.

Miguel Stilwell evitou comentar o acordo da ERSE com a Galp. “Estamos perfeitamente confortáveis com a opção que tomámos de contestar a decisão da ERSE”, afirmou o gestor.