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REN lucra menos 35% até junho

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A gestora das redes de eletricidade e gás natural ganhou 40,5 milhões de euros de janeiro a junho, um resultado inferior ao de 2015 devido à ausência das receitas extraordinárias que foram registadas no ano passado

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O resultado líquido da REN - Redes Energéticas Nacionais no primeiro semestre cifrou-se em 40,5 milhões de euros, menos 35% do que o registado no mesmo período de 2015, informou a empresa em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Excluindo fatores extraordinários das contas, o resultado líquido recorrente ter-se-ia traduzido num lucro de 66,5 milhões de euros, representando um crescimento de 4,5% em termos homólogos. Entre os fatores não recorrentes que afetaram os resultados da REN estão a mais-valia da venda da participação na espanhola Enagás e uma recuperação de impostos, ainda em 2015. A contribuição extraordinária sobre o sector energético continuou a penalizar os ganhos da empresa em 2016.

A melhoria do desempenho numa base recorrente beneficiou de uma melhor performance financeira e de um menor custo médio da dívida, num contexto de baixas taxas de juro, de que a REN tem tirado partido.

O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) desceu 5,5% face ao ano passado, para 240,2 milhões de euros, num período em que o investimento encolheu quase 62%, para 37,6 milhões de euros.

Gonçalo Morais Soares, administrador financeiro da REN, declarou ao Expresso que os resultados da primeira metade do ano “satisfazem” e “estão dentro das expectativas”. Segundo o gestor, a queda de 35% do resultado líquido não preocupa, porque não envolve questões estruturais. “Temos capacidade para continuar a suportar a nossa política de dividendos”, assegurou o administrador.

No plano da eficiência, a REN conseguiu reduzir 2,8% os seus custos operacionais e melhorar em 7,1% o resultado financeiro. Gonçalo Morais Soares reconhece que “há muito menos espaço hoje para conseguir obter eficiências operacionais do que há uns anos atrás”, mas nota que a empresa permanece empenhada em baixar as suas despesas.

A internacionalização da empresa, que hoje tem o seu negócio praticamente limitado a Portugal, é um tema em discussão há vários anos, mas a REN não conseguiu ainda materializar as oportunidades que tem analisado. “Continuamos à procura de oportunidades de negócio no plano internacional, de forma determinada, mas também disciplinada”, comentou o administrador financeiro em declarações ao Expresso.