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Lucro da EDP baixa 20% para 472 milhões de euros

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Luis Barra

O grupo presidido por António Mexia teve uma trajetória ascendente do seu negócio de energias limpas, mas sofreu uma queda dos ganhos regulados na Península Ibérica e do resultado no Brasil

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP lucrou no primeiro semestre 472 milhões de euros, um resultado 20% inferior ao do mesmo período do ano passado, que a empresa justifica principalmente com o registo em 2015 de resultados extraordinários que já não se verificaram em 2016.

Numa base comparável, o lucro do grupo sem efeitos extraordinários ascendeu a 517 milhões de euros até junho, e foi 20% superior ao resultado recorrente apurado na primeira metade de 2015.

O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recuou 3%, para 2,07 mil milhões de euros, influenciado igualmente por fatores não recorrentes (o reforço de participação numa central elétrica no Brasil e a venda de ativos de gás em Espanha em 2015 e a venda de mini-hídricas no Brasil em 2016). Sem estes fatores, o EBITDA recorrente da EDP no primeiro semestre teria subido 15%, para 2.006 milhões de euros.

No plano operacional a empresa liderada por António Mexia teve uma descida de 15% no resultado da sua produção elétrica com contratos de longo prazo e uma subida de 100% do EBITDA da produção liberalizada (vendida a preços flutuantes no mercado ibérico), variações explicadas em grande medida pela transferência de oito barragens em Portugal do regime CMEC (custos para a manutenção do equilíbrio contratual, de preços pré-definidos) para o mercado.

O EBITDA conseguido pela EDP no negócio de redes reguladas (de eletricidade e gás) na Península Ibérica baixou 13% face ao ano passado. Já o resultado da divisão de renováveis (energia eólica e solar) melhorou 18%. A operação no Brasil sofreu uma queda de 40% no seu EBITDA.

O grupo encerrou o primeiro semestre com uma capacidade instalada de 24.522 megawatts (MW), mais 5% do que tinha um ano antes. O número de trabalhadores encolheu 1%, para 11.923 colaboradores.

O investimento operacional do grupo na primeira metade do ano desceu 2%, para 724 milhões de euros. Contudo, tendo em consideração o elevado desinvestimento feito com a venda de participações minoritárias em ativos da EDP Renováveis, o investimento líquido da EDP no primeiro semestre foi negativo em 21 milhões de euros (o que compara com um investimento líquido positivo de 544 milhões no primeiro semestre de 2015).

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