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Já há dois anos que Portugal não gastava tão pouco carvão

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Bom momento da produção de energias renováveis fez afundar o consumo de carvão em Portugal, que entre março e abril caiu 45%, atingindo o registo mensal mais baixo dos últimos dois anos

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O consumo de carvão em Portugal sofreu uma queda acentuada no mês de abril, caindo 45% face ao volume consumido em março, de acordo com a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

No mês de abril (o último para o qual a DGEG tem números detalhados) o país queimou 184 mil toneladas de carvão (183 mil toneladas para a produção de eletricidade). Trata-se do valor mais baixo dos últimos dois anos. É preciso recuar até abril de 2014 para encontrar um registo inferior (177 mil toneladas).

A queda na procura de carvão em abril esteve fortemente ligada ao impulso que a eletricidade de origem renovável teve nesse mês.

Em comparação com abril do ano passado, enquanto a produção elétrica das centrais alimentadas a carvão afundou 32%, a produção das barragens disparou 185% e a energia eólica aumentou 50% em termos homólogos, segundo as informações da REN - Redes Energéticas Nacionais.

Considerando o consumo de carvão numa base anualizada (o período de 12 meses terminado em abril), a DGEG regista uma descida na procura deste combustível fóssil de 6% face ao consumo anualizado verificado em abril do ano passado.

Segundo a mesma fonte, em abril o carvão apresentava um custo de 54,1 euros por tonelada, abaixo dos 55,3 euros por tonelada de março, mas acima dos 50,3 euros da cotação de abril de 2015. Tendo em conta a descida de preço e de volume consumido, entre março e abril Portugal terá economizado 8,7 milhões de euros neste combustível.

Na sua estatística de combustíveis fósseis, a DGEG constata ainda que o consumo anualizado de gás natural cresceu 12% em termos homólogos, enquanto a procura de produtos petrolíferos recuou 1,1%.

De acordo com os dados da REN para o sector elétrico (que absorve a maior parte do consumo de carvão em Portugal), as centrais a carvão no primeiro semestre produziram menos 30% de energia do que em igual período do ano passado. Já a produção hídrica aumentou 105% e a eólica cresceu 16%. As centrais de ciclo combinado a gás natural baixaram a produção de eletricidade em 4% até junho.