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Primeiro projeto eólico offshore em Portugal conclui fase de testes

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A plataforma Windfloat será rebocada durante o Verão

Tiago Miranda

A EDP anunciou a conclusão do período de testes da plataforma Windfloat, que nos próximos meses será retirada da sua posição, ao largo da Póvoa de Varzim, para dar lugar a um teste de uma outra tecnologia

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP concluiu o período de testes da plataforma eólica offshore Windfloat, uma estrutura com dois megawatts (MW) de potência que ao longo de cinco anos injetou na rede elétrica nacional mais de 17 gigawatts hora (GWh) de energia, cobrindo o consumo de eletricidade de mais de 1400 famílias, de acordo com os perfis médios de consumo.

Em comunicado, a EDP informa que a eólica do Windfloat será rebocada, de regresso ao porto. "No seu lugar, na Aguçadoura, será instalada uma nova tecnologia. O projeto Windfloat terá continuidade uns quilómetros a norte, em Viana do Castelo, onde será instalado o primeiro parque eólico offshore flutuante com esta tecnologia, um projeto que permitirá preparar toda a cadeia de valor para a posterior entrada em fase de exploração comercial", refere a empresa.

"Os cinco anos de atividade do Windfloat provaram a fiabilidade da solução tecnológica em condições climatéricas adversas, tendo resistido a ondas com mais de 17 metros e ventos superiores a 60 nós. Tempestades marítimas que não comprometeram a capacidade de produção da turbina eólica, assente numa plataforma flutuante", indica a EDP.

Sob a liderança da EDP, o projeto Windfloat é desenvolvido por um consórcio que integra o parceiro tecnológico Principle Power, a Repsol, a capital de risco Portugal Ventures e a metalúrgica A. Silva Matos.

A instalação do futuro parque eólico que recorrerá à tecnologia Windfloat enfrenta, contudo, um desafio. É que para entrar em produção esse parque offshore precisará que seja instalado um cabo submarino de ligação à rede elétrica em Viana do Castelo, um investimento que já foi proposto pela REN – Redes Energéticas Nacionais, mas que ainda não teve "luz verde" da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e do Governo.

O Governo é, em última análise, a entidade que decidirá se a REN pode ou não fazer o investimento no cabo submarino, uma vez que o Estado é o concedente da concessão da rede de transporte de eletricidade, operada pela REN.

No processo de consulta pública sobre o último plano de investimentos da REN o custo do projeto de ligação ao futuro parque Windfloat gerou críticas de várias partes. A REN orçamentou um investimento de 48 milhões de euros (que seria recuperado nas tarifas pagas pelos consumidores de eletricidade), de forma a numa primeira fase criar uma capacidade de ligação para até 80 MW de potência (25 MW do projeto Windfloat e 55 MW para outros empreendimentos).