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Dourogás investe em projetos de biogás e prepara entrada em Espanha

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Nuno Afonso Moreira, presidente da Dourogás

A empresa que detém a Goldenergy tem em marcha dois projetos de aproveitamento de biogás, com um investimento global de quatro milhões de euros

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Dourogás, empresa de distribuição de gás natural que opera também na comercialização de eletricidade, através da Goldenergy, vai apostar em dois projetos na área do biogás, ao mesmo tempo que se lançará num processo de internacionalização que arrancará em Espanha.

O presidente executivo da Dourogás, Nuno Afonso Moreira, revelou ao Expresso que o grupo avançará com duas iniciativas para testar o aproveitamento de biogás, devendo os projetos ser postos em marcha entre este ano e o próximo.

Um dos projetos, denominado Bio-Hytech, terá um investimento de 3 milhões de euros, consistindo no uso de biogás para gerar hidrogénio e, a partir dele, eletricidade. O processo "será feito nas instalações da Dourogás em Mirandela", explica Nuno Afonso Moreira. A Dourogás concorreu ao programa Horizonte 2020 para financiar a totalidade do investimento com fundos comunitários. A candidatura está a ser avaliada.

A empresa espera uma decisão da Comissão Europeia em setembro, mas está determinada em avançar com o Bio-Hytech no início de 2017, independentemente do resultado da candidatura ao Horizonte 2020. O projeto de desenvolvimento e testes durará dois anos.

A segunda iniciativa denomina-se Biogás Move. Está orçado em um milhão de euros e passa pelo aproveitamento de biogás de uma estação de tratamento de resíduos. Usando o metano proveniente desses resíduos, e submetendo-o a uma pressurização, a Dourogás tenciona gerar gás natural comprimido (GNC), para usar como combustível nos camiões que fazem o transporte dos resíduos. Este projeto deverá arrancar já em julho deste ano, com duração prevista de 12 meses.

Adicionalmente, a empresa portuguesa está a preparar a sua expansão internacional, em que usará a sua empresa para o mercado liberalizado, a Goldenergy, na venda de eletricidade e gás natural em Espanha. Segundo Nuno Afonso Moreira, a licença de comercialização no país vizinho já foi obtida e a Dourogás aguarda apenas a publicação de novas tarifas de utilização do terminal de gás natural liquefeito (GNL) de Sines, o que deverá ocorrer dentro de um mês, para saber que condições comerciais conseguirá oferecer na venda de gás no mercado espanhol, a partir da importação de cargas de GNL por via marítima.

Portas abertas no Brasil

Esta semana a Dourogás firmou um protocolo de cooperação com a SC Gás, empresa pública brasileira que distribui gás no Estado de Santa Catarina. O objetivo é a troca de experiências e de conhecimento técnico, para avaliar a possibilidade de desenvolvimento de unidades autónomas de distribuição de gás em zonas do interior de Santa Catarina que estão isoladas da rede principal de gás que existe no litoral daquele Estado.

A SC Gás está interessada em aproveitar e replicar o modelo que a Dourogás tem em exploração na região Norte de Portugal. Mas para já trata-se apenas de uma cooperação técnica, sem negócio associado.

O processo de cooperação, frisou ao Expresso o presidente da SC Gás, Cosme Polêse, "ainda é embrionário". Uma das missões daquela empresa brasileira passa por desenvolver uma mini-rede de gás natural no município de Lages, com quase 170 mil habitantes.

Goldenergy: o problema da mudança de comercializador

Um dos principais negócios da Dourogás é a sua aposta no mercado liberalizado, através da Goldenergy. Mas este operador já foi alvo de diversas queixas, que em muitos casos incidem sobre a qualidade do atendimento ao cliente e demoras nas respostas aos consumidores.

Nuno Afonso Moreira discorda da ideia de que o serviço da Goldenergy seja deficiente, assegurando que as informações que tem indicam que a generalidade dos clientes da empresa estão satisfeitos.

Segundo o gestor, os problemas que têm vindo a colocar-se nas operações da Goldenergy resultam principalmente de obstáculos no processo de mudança de comercializador, que é feito por terceiros. No caso da eletricidade a gestão desse processo é feita pela EDP Distribuição.

"O processo de mudança de comercializador é deficiente. Precisa de ser credibilizado", aponta o presidente da Dourogás.

Esta quinta-feira, à margem de uma conferência promovida pela Dourogás, o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, prometeu novidades sobre a operação de mudança de comercializador para breve. "É uma das questões essenciais para o bom funcionamento do mercado", reconheceu o governante.