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Mexia concorda “completamente” com adiamento de barragens

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Alberto Frias

Presidente executivo da EDP admite que a central de Fridão não é urgente para Portugal. E garante que o Brasil continuará a ser um mercado estratégico, apesar da turbulência política atual

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O presidente executivo da EDP, António Mexia, confirmou que o adiamento de centrais hidroelétricas cuja construção ainda não tinha arrancado foi uma medida tomada por comum acordo entre o Governo e as empresas envolvidas.

No caso da EDP, o Governo anunciou o cancelamento da barragem do Alvito, um projeto de que a EDP se tinha desinteressado, e a suspensão por três anos da central de Fridão.

"Ficou acordado um adiamento de três anos e é uma decisão com a qual concordamos completamente", comentou António Mexia esta segunda-feira, à margem da assembleia geral de acionistas da EDP.

Mexia sublinhou que hoje a EDP não considera "urgente" o desenvolvimento da barragem de Fridão, pelo que o prazo de três anos para reavaliar o projeto "parece ser razoável".

Recorde-se que a EDP pagou em 2008 pelas concessões de Alvito e Fridão cerca de 162 milhões de euros, verba que ficou para o Estado e que o grupo não irá recuperar. Os compromissos adicionais de investimento nas regiões em que as barragens seriam construídas permanecem inalterados, indicou Mexia.

Em conferência de imprensa na sede da EDP após a sua assembleia geral, António Mexia pronunciou-se também sobre a instabilidade política no Brasil, garantindo que essa situação não põe em causa o interesse da EDP por aquele mercado.

"A EDP está há 20 anos no Brasil e sempre tivemos uma visão clara de longo prazo. O peso relativo do Brasil na carteira de negócios da EDP é adequado e não há nenhuma razão para que essa estratégia mude", afirmou o gestor.

No final da assembleia geral, o presidente do Conselho Geral da EDP, Eduardo Catroga, notou ainda que o índice de aprovação das propostas aos acionistas (superior a 99%) comprova a coesão da estrutura acionista da elétrica. "Existe uma grande convergência dos acionistas em relação à sua estratégia", frisou Catroga.

Instado a comentar a aprovação de um limite salarial mais alto para os gestores da EDP (Mexia poderá receber em termos brutos até 2,5 milhões de euros por ano), Catroga desvalorizou, comentando que o Conselho Geral considerou "perfeitamente justificada" a revisão da política remuneratória. "Os acionistas são soberanos nessa matéria", sentenciou.