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EDP vende mais €94 milhões de défice tarifário

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O grupo presidido por António Mexia repetiu esta sexta-feira uma operação que já tinha feito em dezembro para antecipar receitas relativas ao défice tarifário da eletricidade

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP anunciou esta sexta-feira a venda de mais uma parcela de défice tarifário do sector elétrico, que lhe permitirá, desta vez, encaixar desde já 94 milhões de euros, segundo o comunicado do grupo à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A operação, similar à anunciada a 14 de dezembro, consiste na venda a terceiros do direito ao recebimento de uma parcela de 94 milhões de euros de custos que o sistema elétrico teve em 2014, mas que foram diferidos para o futuro, para serem recuperados ao longo de cinco anos através das tarifas pagas pelos consumidores de eletricidade.

Ao titularizar estes créditos, a EDP recebe aquele montante no imediato, ficando os investidores (a EDP não identificou os compradores destes créditos tarifários) com o direito ao recebimento futuro daquela tranche de dívida tarifária, acrescida de juros.

Os 94 milhões de euros de défice tarifário que agora foram vendidos pela EDP constituem uma parte do sobrecusto que o sistema elétrico nacional teve em 2014 com a produção do regime especial (em que se incluem as renováveis e as cogerações) e que não foram repercutidos nas tarifas pagas nesse ano pelos consumidores, sendo antes tratados como custos a recuperar de forma faseada nos cinco anos seguintes.

Em dezembro a EDP tinha vendido outros 93 milhões de euros de défice tarifário do ano 2014.

Especificamente no sistema elétrico português a EDP contabilizava em setembro uma dívida tarifária global de 5,2 mil milhões de euros, dos quais 2,2 mil milhões devidos à EDP e 3 mil milhões por pagar a outros investidores que entretanto adquiriram esses créditos tarifários.

A dívida líquida do grupo EDP no final de setembro ascendia a 17,3 mil milhões de euros, segundo as últimas contas publicadas pela companhia.

  • A elétrica liderada por António Mexia vai receber de imediato cerca de 90 milhões de euros relativos a custos do sistema elétrico nacional que ainda não foram cobertos pelas tarifas pagas pelos consumidores