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Investidor do parque eólico de Moncorvo contesta chumbo ambiental

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A Island Renewable, empresa irlandesa que quer investir 80 milhões de euros num parque eólico em Torre de Moncorvo, teve uma declaração de impacto ambiental desfavorável, mas continua interessada em desenvolver o projeto

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Island Renewable, empresa promotora do parque eólico de Torre de Moncorvo, vai contestar junto do ministro do Ambiente a declaração de impacto ambiental desfavorável que o projeto recebeu em dezembro do secretário de Estado do Ambiente.

"Vamos apresentar recurso", assegurou ao Expresso o diretor de desenvolvimento de projetos da Island para o Sul da Europa, o gestor português Paulo Amante. "Era suposto termos uma audiência no Ministério do Ambiente e com a mudança de Governo o prazo acabou por se esgotar", explicou Paulo Amante.

Na segunda-feira a agência Lusa noticiou que o parque eólico, um investimento estimado em 80 milhões de euros, chumbou no Ministério do Ambiente. Paulo Amante indica agora que a sua empresa irá contestar formalmente a declaração desfavorável, tendo até dia 12 de janeiro para o fazer.

"A Island mantém todo o interesse no projeto", indicou Paulo Amante ao Expresso, acrescentando que acredita ser possível vir a construir o parque eólico em Portugal, apesar desta declaração de impacto ambiental desfavorável. O parque deverá ter uma capacidade instalada de 60 megawatts (MW), com um total de 30 torres eólicas de 2 MW cada.

Segundo o responsável da empresa irlandesa, a Island durante o processo de licenciamento ambiental manifestou disponibilidade para alterar a disposição dos aerogeradores, eliminar alguns deles e garantir a replantação de sobreiros num rácio superior ao que a lei determina quando os projetos implicam o abate daquele tipo de árvore.

A declaração de impacto ambiental desfavorável, que data de 18 de dezembro de 2015, aponta "impactos negativos muito significativos e não minimizáveis", nomeadamente pela ameaça às aves de rapina e pelo impacto visual. Além de desvalorizar o tema das aves de rapina (notando, por exemplo, que as águias de Bonneli são "uma das espécies que convivem melhor com parques eólicos"), Paulo Amante sublinha que o aerogerador mais próximo das populações dista 12 quilómetros da localidade de Pocinho.