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Nuno Ribeiro da Silva diz ser difícil investir em novos projetos de energia

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Gestor realça a dificuldade das empresas energéticas de convencer os acionistas a fazer novos investimentos perante a incerteza do retorno que vão gerar a médio e longo prazo

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, considera que é hoje particularmente difícil conseguir convencer os acionistas das empresas de energia a aprovar novos projetos de investimento, devido à incerteza sobre as condições de rentabilidade que esses projetos possam vir a ter.

“É muito difícil convencer os acionistas a pôr dinheiro nos projetos”, desabafou Nuno Ribeiro da Silva durante uma conferência da Associação Portuguesa de Energia (APE) em Lisboa, sobre as perspetivas do sector até 2030. “Estamos confrontados com um enorme desafio em termos de investimento, da mobilização de contentores de dinheiro para seguirmos os desafios da descarbonização”, frisou o gestor.

O líder da Endesa Portugal realçou que a imprevisibilidade sobre as tarifas da energia, sobre os impostos aplicados ao sector e sobre o custo das licenças de emissão de CO2 é um fator que dificulta a tomada de decisões de investimento em novas infra-estruturas energéticas.

A opinião de Nuno Ribeiro da Silva foi corroborada pelo presidente da BP em Portugal, Pedro Oliveira, que notou que para a indústria petrolífera “ainda é difícil casar os projetos que têm de ser feitos com a tirania do capex”. “Não é sustentável ter o crude no valor que tem hoje, mas as organizações petrolíferas têm de ter a coragem de manter os seus investimentos”, defendeu Pedro Oliveira.

E para o sector energético as companhias petrolíferas continuarão a ter um papel central. Segundo Tiago Farias, professor do Instituto Superior Técnico, “para 2030 o “driver” vai continuar a ser o petróleo”, uma vez que na área dos transportes a transição para os veículos elétricos será demorada. “Tudo vai demorar. A indústria da mobilidade é muito lenta”, comentou Tiago Farias na conferência da APE.

Mais célere é a evolução tecnológica noutros domínios, como o dos equipamentos de contagem de energia. “Nesta altura estamos a comprar os contadores inteligentes a menos de um terço do preço a que comprámos para instalar em Évora em 2010”, assinalou o presidente da EDP Distribuição, João Torres.

Na mesma conferência, Carlos Costa Pina, administrador da Galp, salientou que no domínio do gás natural Portugal e Espanha têm hoje uma oportunidade que podem aproveitar em seu proveito. “A capacidade de regaseificação (de gás natural liquefeito) na Península Ibérica representa cerca de metade do gás natural importado da Rússia. O potencial de diversificação é enorme e a Península Ibérica poderá aproveitar”, concluiu o gestor.