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REN prevê recuperação do consumo de gás natural

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Após ter crescido 0,8% ao ano na última década, a procura de gás em Portugal deverá até 2015 ter um crescimento médio anual de 1,3%, segundo as projeções da REN

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O consumo de gás natural em Portugal entre 2016 e 2025 deverá apresentar uma taxa média de crescimento anual superior à registada na última década, segundo as projeções que a REN - Redes Energéticas Nacionais inscreveu no seu plano de investimento na rede nacional de gás.

Ao longo da próxima década a procura de gás natural no país deverá ter um crescimento médio anual de 1,3%, o que representa uma dinâmica de crescimento maior do que os 0,8% de crescimento anual no período de 2004 a 2014.

Nos últimos 10 anos o mercado português esteve a crescer até 2010, mas desde então o consumo tem vindo a baixar, principalmente devido à queda acentuada da atividade das centrais de ciclo combinado que usam o gás natural como combustível para produzir eletricidade.

Agora, na sua previsão a 10 anos a REN estima que o consumo de gás natural em Portugal passe dos 51,3 terawatt hora (TWh) de 2015 para 58,4 TWh em 2025, um crescimento que conta com alguma recuperação na atividade das centrais elétricas alimentadas a gás, mas principalmente com um maior consumo do mercado convencional (que inclui o gás fornecido a famílias e empresas).

As previsões da REN constam do Plano de Desenvolvimento e Investimento na Rede de Gás Natural, um documento que a empresa tem de apresentar à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) de dois em dois anos contendo as suas propostas de investimento para os próximos dez anos.

Investimentos criticados pelo regulador

No anterior plano, entregue em 2013, a REN viu os seus projetos de investimento serem alvo de fortes críticas por parte da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que acusou a empresa de adotar perspetivas demasiado otimistas para o crescimento do mercado de gás natural, concluindo que os investimentos de expansão apresentados pela REN poderiam não se justificar, ponderado o custo que teriam para os consumidores finais de gás.

Neste novo plano a REN enfatiza o ambiente conservador com que redesenhou os seus investimentos, nomeadamente por propor para o período de 2016 a 2018 um investimento (de cerca de 150 milhões de euros) que é 38% inferior ao proposto para o triénio de 2014 a 2016.

Uma das prioridades da empresa é diversificar as fontes de aprovisionamento de gás natural. Hoje Portugal recebe o combustível por três vias: pelo terminal de Sines (que recebe navios com gás natural liquefeito), pela interligação de Campo Maior e pelo gasoduto de Valença do Minho. A REN pretende nos próximos anos avançar com uma terceira interligação terrestre entre Portugal e Espanha, mas tenciona também reforçar a capacidade de entrada de gás em Sines.

Elevada depedência do gás argelino

Hoje Portugal tem uma elevada dependência do gás natural da Argélia, país que assume um peso de quase 70% no volume que o mercado nacional importou em 2014. De acordo com a REN, o segundo maior fornecedor de gás de Portugal é o Qatar (15%), seguido de Trinidad e Tobago (5,7%) e Nigéria (5,2%).

O plano de investimento da REN está desde esta quarta-feira em consulta pública, num processo coordenado pela ERSE. O regulador da energia irá até 4 de janeiro receber comentários sobre as propostas da empresa, antes de se pronunciar sobre o documento e sobre a adequação, ou não, dos projetos que a REN quer realizar.