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Fundos americanos têm mais capital da EDP que os chineses

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Alberto Frias

Ainda sem assento nos órgãos sociais da EDP, as gestoras norte-americanas Capital Group e Blackrock têm comprado cada vez mais ações da elétrica e já ultrapassaram a China Three Gorges

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Os fundos de investimento norte-americanos têm vindo, pouco a pouco, a reforçar as suas participações na EDP, que desde 2011 tem como maior acionista a China Three Gorges. Mas no final de junho as posições reportadas pelo Capital Group e pela Blackrock passaram a somar, conjuntamente, mais de 22% das ações da EDP, superando, pela primeira vez, os 21,35% do grupo chinês.

As informações publicadas pela EDP evidenciam que a 30 de junho de 2015 o Capital Group (instituição norte-americana que administra fundos de investidores espalhados pelo mundo fora) já tinha 17,07% das ações da EDP. Entre os acionistas da elétrica com participações qualificadas (ou seja, superiores a 2%) contava-se a também norte-americana Blackrock, com 5% da EDP.

No final do primeiro trimestre deste ano a posição do Capital Group na EDP era de 14,56% (em maio ultrapassou a fasquia dos 15%) e a da Blackrock estava em 2%.

A posição de 21,35% da China Three Gorges na companhia presidida por António Mexia mantém-se inalterada desde o final de 2011, quando a empresa controlada pelo Estado chinês venceu o processo de privatização da EDP, entregando ao Estado português 2,7 mil milhões de euros. A participação chinesa está ainda bloqueada por força do contrato assinado com o Governo português, que previa que durante quatro anos a Three Gorges não poderia vender nem comprar ações da EDP.

Embora as duas gestoras norte-americanas de fundos (Capital Group e Blackrock) tenham agora mais capital da EDP do que a China Three Gorges, na prática essa situação não se traduz ainda num maior nível de poder na elétrica portuguesa, já que aqueles investidores de origem norte-americana não têm assento no Conselho Geral e de Supervisão da EDP, o órgão de controlo das decisões estratégicas para a empresa, pelo qual têm de passar as propostas da equipa de gestão de Mexia.

Até hoje os resultados das assembleias gerais anualmente realizadas pela EDP têm mostrado que os investidores norte-americanos estão, aparentemente, em sintonia com os restantes acionistas do grupo, com os índices de aprovação das contas, da gestão e de outras propostas em votação a superarem, em regra, os 90%.

O clima acionista na EDP tem sido pacífico, acompanhando a tendência de estabilidade e previsibilidade no pagamento de dividendos aos investidores. Este ano, tal como nos exercícios anteriores, a empresa pagou 18,5 cêntimos de euro por ação, distribuindo aos acionistas 65% do que lucrou em 2014. Mas nada impede que acionistas que têm já mais de 20% do capital, como são os fundos norte-americanos, possam ter uma voz ativa no rumo da gestão da EDP.

O Capital Group, que é hoje o segundo maior acionista da EDP (apenas atrás da China Three Gorges), tem feito diversos investimentos em empresas da bolsa portuguesa. A gestora de fundos tem atualmente quase 5% da Galp Energia (onde também está, com 2,45%, a Blackrock) e foi durante anos um dos maiores acionistas da Portugal Telecom.

Além da Three Gorges (21,35%) e Capital Group (17,07%), a EDP tem como maiores acionistas a espanhola Oppidum (7,19%), a Blackrock (5%) e a International Petroleum Invesment Company de Abu Dhabi (4,06%). A lista inclui ainda, com participações um pouco acima dos 2%, acionistas como o BCP, a argelina Sonatrach e a Qatar Investment Authority.