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Galp atinge a sua maior margem de refinação dos últimos oito anos

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Refinaria da Galp, em Sines

Nuno Botelho

A empresa portuguesa está a beneficiar de bons ventos no negócio de refinação de petróleo e conseguiu no segundo trimestre uma marca histórica na rentabilidade das suas refinarias

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Galp Energia alcançou no segundo trimestre deste ano uma margem de refinação de 7,3 dólares por barril, o melhor resultado conseguido pela petrolífera portuguesa ao longo dos últimos oito anos.

A melhoria das margens de refinação na Europa foi, aliás, uma das justificações dadas pela Galp para a subida do seu resultado no primeiro semestre deste ano, que se saldou num lucro de 310 milhões de euros. No primeiro semestre do ano passado o lucro da Galp tinha sido de 115 milhões.

A verdade é que a margem de refinação (um indicador da rentabilidade que a Galp tem nas suas refinarias de Sines e Matosinhos) tem vindo a melhorar de forma consistente desde meados do ano passado.

No segundo trimestre de 2014 a Galp chegou a operar com uma margem de refinação negativa, de -0,9 dólares por barril, o que significava, na prática, que o valor das vendas de produtos refinados não cobria sequer o custo de aquisição e transformação do petróleo.

No terceiro trimestre do ano passado a conjuntura melhorou substancialmente e a margem de refinação da Galp saltou para valores acima dos 5 dólares por barril, em que se manteve no quarto trimestre desse ano e também no primeiro trimestre de 2015.

A subida da sua margem é explicada pela Galp com a recuperação das margens europeias e também com a otimização do aprovisionamento de petróleo que o grupo tem feito. Na Europa muitas petrolíferas aproveitaram a queda da cotação do crude no final de 2014 para aumentar os seus volumes de matéria-prima em stock, tendo nos últimos meses conseguido processá-la com maiores ganhos. E para isso também tem ajudado a recuperação da procura de alguns produtos petrolíferos.

No período de abril a junho de 2015 a Galp incrementou ainda mais os seus ganhos na refinação, que chegaram a 7,3 dólares por barril, sendo preciso recuar ao segundo trimestre de 2007 para encontrar margem idêntica nas refinarias da Galp. E só no final de 2005, ainda antes de a empresa entrar em bolsa (o que aconteceria em 2006), é que a Galp trabalhou com margens maiores na refinação (que chegaram a 7,8 dólares por barril no quarto trimestre de 2005).

A área da refinação é uma das mais relevantes na geração de resultados do grupo, tendo sido responsável no primeiro semestre deste ano por mais de 46% do EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), à frente do contributo de 26% da divisão de gás e eletricidade e do peso de 25% da área de exploração e produção de petróleo.

Embora as vendas de produtos refinados a clientes diretos da Galp tenham permanecido relativamente estáveis no primeiro semestre, o grupo aumentou as suas vendas globais de refinados.

Hoje a maior fatia dos investimentos da Galp estão no negócio de exploração de petróleo, mas ao longo dos últimos anos, ainda sob a presidência da Manuel Ferreira de Oliveira, a companhia portuguesa desenvolveu um programa intensivo de investimento nas refinarias de Sines e Matosinhos.

Entre 2008 e 2012 a Galp investiu 1,4 mil milhões de euros na reconversão do seu aparelho refinador em Portugal, tendo em vista um aumento da capacidade de produção de gasóleo e um maior volume de exportações deste produto petrolífero.