Siga-nos

Perfil

Economia

Energia

Bruxelas diz ainda haver entraves ao livre trânsito de energia na Europa

  • 333

Maros Sefcovic, vice-presidente da Comissão Europeia, afirmou em Lisboa que Portugal pode ter energia mais barata se estiver mais ligado ao resto da Europa

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta da União da Energia, Maros Sefcovic, admitiu esta quinta-feira em Lisboa que “ainda há muitas barreiras administrativas” para que o livre trânsito de energia entre os vários Estados-membros se torne uma realidade.

“Os reguladores ainda têm trabalho a fazer para permitir que a energia circule livremente entre os vários Estados-membros”, afirmou Maros Sefcovic numa audição na Assembleia da República, no âmbito da sua visita à capital portuguesa.

Na sua intervenção o vice-presidente da Comissão sublinhou que “Portugal pode ter melhores preços de energia se estiver mais ligado ao resto da Europa”, pelo que a cooperação entre Portugal, Espanha e França para reforçar as interligações de eletricidade e gás natural é um desenvolvimento positivo em matéria de política energética.

Essa cooperação já está em marcha. O grupo de alto nível criado entre Bruxelas, Lisboa, Madrid e Paris prevê apresentar em setembro um documento com mais detalhes sobre como se irá materializar o investimento em mais capacidade de interligação entre Portugal, Espanha e França. O objetivo é que até 2020 a Península Ibérica alcance com França uma capacidade de interconexão suficiente para exportar 10% da sua capacidade de produção de eletricidade.

Maros Sefcovic notou, aliás, que o aumento da capacidade de interligações entre a Península Ibérica e França não beneficia apenas os mercados periféricos. “Toda a Europa pode beneficiar do potencial energético português, mas Portugal também pode beneficiar do acesso ao enorme mercado europeu”, defendeu.

O projeto da União da Energia prevê que a Europa construa um mercado energético comum, mais interligado, de forma a que os vários países possam aumentar os fluxos de eletricidade e gás natural entre si e, por via do efeito da maior concorrência entre produtores e comercializadores, gerar preços mais baixos para o consumidor final.

Esta foi justamente uma das preocupações levantadas na audição pelo deputado socialista Vitalino Canas, que destacou que “Portugal tem preços mais caros que a média europeia”.

Na sua intervenção em Lisboa, Maros Sefcovic assegurou que a agenda da Comissão em matéria de energia será intensa nas próximas semanas, estando prevista para 15 de julho a apresentação de uma proposta de reforma do mercado de emissões de CO2 para o período após 2020, além de uma comunicação sobre como redesenhar o funcionamento do mercado de eletricidade na Europa.