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BP prevê subida do preço do petróleo

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Economista da BP acredita na recuperação da cotação do crude e o ex-presidente da Galp concorda. Gás de xisto e procura na China irão influenciar o mercado global de energia

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

William Zimmern, líder da área de macro-economia da multinacional BP, acredita que a cotação do barril do petróleo irá, a médio prazo, subir. “Provavelmente os preços do petróleo não vão ficar onde estão hoje, mas também não vão voltar aos 110 dólares por barril. Deverão ficar algures no meio desse intervalo”, apontou Zimmern durante a apresentação em Lisboa do BP Statistical Review of World Energy.

Na apresentação do documento da BP, em que a petrolífera analisa o mercado energético global no ano 2014, William Zimmern disse ainda que em termos de perspetivas para a indústria petrolífera “a incerteza é enorme”. As principais variáveis que estão a condicionar o mercado global, referiu o economista, são a revolução de gás de xisto nos Estados Unidos e o comportamento da procura na China.

Manuel Ferreira de Oliveira, ex-presidente da Galp Energia, também esteve na apresentação do relatório da BP. E concorda que o preço do petróleo tenderá a subir. “O que está a acontecer é que com os preços à volta dos 60 dólares por barril sente-se de forma tangível a redução da atividade das companhias petrolíferas no gás de xisto nos Estados Unidos”, declarou Ferreira de Oliveira ao Expresso.

Assim, estima o gestor, de forma a se ajustar às necessidades de rentabilidade da indústria, “o preço vai subir um bocadinho”.

Por outro lado, há que contar com o efeito da OPEP, organização dos países exportadores de petróleo. “A OPEP está a tomar uma atitude como a que tomou em 1986, e não quer que outros recursos mais caros entrem no mercado comendo-lhes quota”, aponta Manuel Ferreira de Oliveira.

Na apresentação do BP Statistical Review of World Energy, William Zimmern assinalou a queda de mais de 10% da procura de gás natural na Europa em 2010, uma das descidas mais acentuadas das últimas décadas, notando, contudo, que os Estados Unidos se comportaram como uma exceção à tendência de desaceleração do consumo mundial de gás.

Segundo a BP, em 2014 o consumo de petróleo cresceu 0,8%, abaixo do crescimento médio que a matéria-prima vinha tendo. A procura de gás subiu 0,4% no ano passado, abaixo do aumento médio de 2,4% dos últimos 10 anos. Também o consumo de carvão no mundo cresceu 0,4% em 2014, aquém da média de 2,9% da última década.

Com a desaceleração dos combustíveis fósseis, as energias renováveis acabaram por reforçar o seu contributo para o consumo energético global no ano passado, o qual avançou 0,9% em 2014, depois de em 2013 ter crescido 2%.