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Investimento mundial em energias limpas deverá duplicar no prazo de cinco anos

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Concursos do Governo Sócrates impulsionaram energia eólica em Portugal.

José Carlos Carvalho

Relatório conclui ainda que a capacidade de desenvolvimento das economias não está a implicar uma penalização do clima tão acentuada como no passado

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O investimento global em energias limpas deverá alcançar em 2020 os 985 mil milhões de dólares (o equivalente a 874 mil milhões de euros), mais do dobro do investimento anual que o planeta recebe atualmente, prevê a Agência Internacional de Energia (AIE) no seu mais recente relatório sobre energia e clima. 

O relatório especial da AIE sobre energia e clima indica que dentro de cinco anos a China representará 22,5% dos investimentos mundiais em energia limpa (uma rubrica em que a AIE inclui não só os novos projetos de eletricidade de origem renovável e nuclear, mas também a aposta em eficiência energética e em tecnologias de captura de carbono). 

A segunda região do mundo com maior peso nos investimentos globais em energia limpa será a Europa, com 20,5% do total. No Velho Continente, os recursos aplicados em energias limpas passarão dos atuais 106 mil milhões de dólares (94 mil milhões de euros) por ano para 202 mil milhões de dólares (ou 179 mil milhões de euros). 

Em 2020, estima ainda a AIE, os Estados Unidos da América permanecerão como a terceira região do mundo com maior investimento em energia limpa, quase triplicando os 60 mil milhões de dólares (53 mil milhões de euros) aplicados em 2013. 

Uma menor pegada ambiental
O novo relatório da AIE também prevê que após 2020 as emissões de gases com efeito de estufa associadas ao sector energético irão diminuir. Situando-se hoje nos 32,2 mil milhões de toneladas de CO2, as emissões mundiais ligadas à energia deverão ascender em 2020 a 32,4 mil milhões de toneladas, mas a partir daí descerão. 

O cenário de referência da AIE prevê que as emissões do sector energético irão recuar em 2025 para 29,6 mil milhões de toneladas de CO2. E em 2030 serão de 25,6 mil milhões de toneladas à escala global. 

Mas para alimentar esta previsão, a AIE apela aos governos de todo o mundo que se comprometam de forma expressa a trabalhar no sentido de que 2020 seja o ano de pico nas suas emissões de carbono. 

A AIE sustenta que esse compromisso de curto prazo traria uma "mensagem clara de determinação política" para manter o aquecimento global dentro do limite de dois graus celsius acima dos níveis pré-industriais. Em 2012, a temperatura média global estava 0,85 graus acima dos registos de finais do século XIX.  

Além deste compromisso, a AIE também sugere que os planos nacionais que cada país apresentará na próxima cimeira mundial do clima (em dezembro deste ano em Paris) sejam sujeitos a revisões de cinco em cinco anos. 

Crescimento económico menos associado a emissões de CO2
Na apresentação do relatório sobre energia e clima, a diretora executiva da AIE, Maria van der Hoeven, sublinha que a agência tem constatado que o crescimento económico mundial se começa a desligar das emissões de CO2. Ou, por outras palavras, que a capacidade de desenvolvimento das economias não está a implicar uma penalização do clima tão acentuada como no passado. 

"Estamos a receber sinais de que o crescimento económico e as emissões associadas à energia - que historicamente caminharam no mesmo sentido - estão a começar a desligar-se. A intensidade energética da economia mundial continuou a descer em 2014, apesar de um crescimento económico superior a 3%", frisou a diretora da AIE. 

Ainda assim, a mesma responsável diz ser necessário um esforço acrescido por parte dos governos para que o aquecimento global não ultrapasse o limite de dois graus que é considerado crítico por muitos especialistas para a sustentabilidade do planeta.