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Energia: um guia de A a Z para não entrar em curto-circuito

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João Carlos Santos

No Dia Mundial da Energia apresentamos-lhe um glossário sobre o tema. Começa em Alta tensão, mas esperamos que chegue às Zero emissões... sem curto-circuito.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O tema da energia, nem sempre fácil de compreender, é próximo das famílias e empresas, seja porque o custo de atestar o depósito do carro mexe no rendimento mensal, seja porque já não concebemos viver numa casa sem eletricidade nem aquecimento ou porque nos preocupamos com as linhas de alta tensão que passam por cima de nós.  

O glossário que se segue, embora longo, não é exaustivo, mas tem o propósito de ajudar o leitor a familiarizar-se com alguns dos termos que, pelos jornais, pela rádio ou pela televisão, acabam por chegar a nossa casa com alguma frequência.  

Este "A a Z" da energia leva-o numa viagem pelos CMEC, CIEG e CUR, vai do "upstream" ao "downstream", visita rapidamente o Mibel e os recursos contingentes da indústria petrolífera. Começa em alta tensão, mas esperamos que chegue às zero emissões sem curto-circuito.  

A

Alta tensão: é o nível de tensão elétrica que se situa entre 45 e 110 mil volts (kv). 

Autoconsumo: é como é designado o regime de produção de eletricidade para consumo exclusivo no local onde a energia é gerada. 

B

Baixa tensão: é o nível de tensão elétrica situado abaixo de mil volts. 

BCM: é a sigla para "billion cubic meters", muito usada para medir volumes de gás natural; um BCM equivale a mil milhões de metros cúbicos. 

Bombagem: é um sistema usado em algumas centrais hidroelétricas para reaproveitar volumes de água que já foram turbinados para produzir eletricidade. Esse sistema permite bombear de volta para a albufeira principal de uma barragem a água que ficou depositada a uma cota inferior; ao fazê-lo, a barragem poderá voltar a produzir eletricidade repetidas vezes com a mesma água.  

Brent: é o petróleo bruto do mar do Norte e é o crude cujas cotações são usadas como referência no mercado europeu.   

BTU: a "british thermal unit" é uma unidade de energia equivalente a 252,2 calorias. 

FOTO Corbis

C

CAE:  um contrato de aquisição de energia (CAE) é uma modalidade comum de contratação de longo prazo dos volumes de eletricidade produzidos em algumas centrais elétricas. Em Portugal permanecem em vigor alguns CAE, apesar de a maior parte das centrais já vender a sua energia no mercado ibérico.    

CCGT: é a sigla de "combined cycle gas turbine", ou seja, uma central de ciclo combinado a gás natural, que produz eletricidade simultaneamente a partir da queima de gás natural e do vapor de água que essa queima gera ao aquecer as caldeiras da central. 

CESE: a Contribuição Extraordinária sobre o Sector Energético (CESE) foi criada em outubro de 2013, no Orçamento do Estado para 2014, para recolher junto das empresas de energia um contributo especial visando não apenas financiar as contas públicas mas também diminuir a dívida tarifária do sector elétrico. A CESE consiste na aplicação de uma taxa de referência de 0,85% sobre o valor dos ativos das empresas de energia em Portugal (desde as infraestruturas de transporte de eletricidade e gás natural às refinarias, passando pelas centrais elétricas).   

CIEG: os Custos de Interesse Económico Geral são a rubrica de custos associados ao sector elétrico que refletem os encargos resultantes de decisões de política energética, ambiental e de coesão territorial e que acabam por afetar a fatura da eletricidade. Aí se incluem, por exemplo, o sobrecusto resultante dos subsídios dados às energias renováveis, as rendas recebidas pelos municípios pela passagem da rede elétrica, os custos de convergência tarifária entre o Continente e as regiões autónomas, entre outros.   

CMEC: os Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual são as compensações recebidas pela EDP pela extinção, em 2007, dos CAE que o grupo tinha em vigor em mais de duas dezenas de centrais elétricas (sobretudo barragens). Essas compensações já desapareceram em algumas centrais da EDP, mas permanecem noutras, sendo que o último contrato coberto por CMEC expira apenas em 2027.  

Cogeração: é a produção simultânea de energia elétrica e térmica (por exemplo, vapor, para abastecimento de algumas indústrias).   

CUR: é o comercializador de último recurso, isto é, a entidade que é obrigada a fornecer eletricidade ou gás natural aos consumidores caso nenhum comercializador do mercado liberalizado esteja disponível para fazer o abastecimento. No sector elétrico, o principal CUR em Portugal Continental é a EDP Serviço Universal. No gás natural há vários CUR regionais.

D

Distribuição: no sector elétrico é o segmento da cadeia de valor responsável pela veiculação da energia desde a alta tensão à baixa tensão, até à porta do cliente, não incluindo, contudo, a função de comercialização.   

Dívida tarifária: é a acumulação de sucessivos défices tarifários, ou seja, o resultado de vários anos em que as tarifas pagas pelos consumidores (de eletricidade, gás natural ou outros produtos) não cobrem a totalidade dos custos associados a esse consumo.   

Downstream: na indústria petrolífera designa a parte a jusante da cadeia de valor, nomeadamente as atividades de refinação e distribuição de produtos petrolíferos. 

E

E&P: no negócio do petróleo esta sigla refere-se às áreas de exploração e produção (incluindo as operações de prospeção e de extração de petróleo e gás natural).  

ERSE: Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.  

Tiago Miranda

F

FPSO: em inglês é "Floating Production and Storage and Offloading" e refere-se às plataformas flutuantes de produção de petróleo, que permitem extrair e armazenar petróleo em navios que estão temporariamente alocados a um determinado projeto e que podem depois ser deslocados para trabalhar noutros campos petrolíferos.  

G

G&P: é a sigla para "gas and power", ou seja, as unidades de negócio que agregam a venda de gás natural e eletricidade.   

Gigawatt: um gigawatt (GW) é um múltiplo de potência que equivale a mil milhões de watts (um kW são mil watts, um MW é um milhão de watts, um GW são mil milhões de watts e um TW são mil GW).  

GNL: o gás natural liquefeito resulta da liquefação do gás natural, tendo a vantagem de ocupar cerca de 600 vezes menos espaço do que o gás no seu estado original. Para o condensar é necessário reduzir a sua temperatura a 163 graus celsius negativos.  

H

Hydrocracking: é um processo utilizado na refinação petrolífera que permite, com recurso ao hidrogénio, partir as moléculas do petróleo para criar frações autónomas mais leves e mais valorizadas, que geram diferentes produtos refinados.   


Interruptibilidade: no sistema elétrico é um regime de compensação económica a alguns consumidores industriais pela sua disponibilidade para terem o seu abastecimento de eletricidade interrompido em determinados momentos que sejam críticos para a estabilidade da rede elétrica.   

J

Joule: unidade de energia que corresponde ao trabalho produzido pela aplicação da força de um "newton" no espaço de um metro. Em termos de conversão, um quilowatt hora (kWh) equivale a 3,6 milhões de joules (ou 3,6 megajoules).  

Jet fuel: combustível para a aviação.  


Eletricidade sem fios

Eletricidade sem fios


Lixiviação: é o processo de extração de um sólido através da sua dissolução num líquido, sendo uma operação que em Portugal é usada no complexo de armazenamento subterrâneo de Carriço, em Pombal, para fazer a escavação de cavernas que servem para armazenar reservas de gás natural.  


Média tensão: tensão elétrica que vai dos mil aos 45 mil volts.  

Megawatt: um milhão de watts.  

Mibelé o Mercado ibérico de eletricidade, que agrega Portugal e Espanha numa plataforma comum onde os produtores de eletricidade vendem a sua energia e onde os comercializadores dos dois países a adquirem, quer em mercados diários quer em mercados de contratos futuros. 

Muito alta tensão: tensão elétrica acima dos 110 mil volts.  

N

Nafta: é um produto petrolífero que, nas colunas de destilação das refinarias, se situa entre o petróleo e os seus gases e que entra na composição da gasolina. 


OLMC: o operador logístico de mudança de comercializador é a entidade jurídica responsável por coordenar os processos em que os clientes de eletricidade e gás natural mudam de fornecedor. É esta entidade que faz a intermediação de contactos entre o antigo e o futuro fornecedor de cada cliente.  

A Philips TYP 6040 S foi a lâmpada que revolucionou as noites em todo o mundo

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P

PDIRT: o Plano de Desenvolvimento e Investimento na Rede de Transporte é um documento que a REN, enquanto concessionária da rede de transporte de eletricidade (e também de gás natural), é obrigada a apresentar de dois em dois anos à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), para que o regulador avalie a necessidade e razoabilidade dos investimentos futuros na rede, cujos encargos se refletirão nas tarifas pagas pelos consumidores. Paralelamente, também a EDP Distribuição, enquanto concessionária da rede de distribuição de eletricidade, é obrigada a entregar um plano, conhecido como PDIRD.  

PRE: a Produção do Regime Especial (PRE) designa os equipamentos de produção de eletricidade que beneficiam de um regime pelo qual têm não só o direito a injetar na rede elétrica toda a energia que produzem, como também beneficiam de uma tarifa garantida de venda da eletricidade. Incluem-se na PRE várias fontes renováveis (como as eólicas, a energia solar e as mini-hídricas) e as centrais de cogeração.  

Preço da "pool": o preço da "pool" é o custo grossista da eletricidade, sendo o preço de referência que esta forma de energia tem no mercado ibérico (diário ou a prazo), como resultado do encontro da oferta e procura na plataforma (a "pool") de produtores e comercializadores de eletricidade. Este preço é relativo à energia à saída das centrais elétricas, pelo que não incorpora os custos de utilização das redes até à entrega da energia ao consumidor final.  

Produção descentralizada: designa as instalações de produção de eletricidade de menor escala, como os painéis fotovoltaicos de uso doméstico, que estão distribuídos pelo território e que, por gerarem reduzidos volumes de energia, têm um contributo para o sistema elétrico distinto da produção centralizada (ou seja, aquela energia que vem de centrais de ciclo combinado, termoelétricas a carvão, barragens, parques eólicos e cogerações).  

Q

Quilowatt hora: o quilowatt hora (kWh) é uma unidade de medida de energia equivalente a mil watts-hora, que exprime a quantidade de energia usada para alimentar uma carga com potência de mil watts durante uma hora. A título de exemplo, se o consumidor utilizar um frigorífico com uma potência de 120 watts, o seu consumo específico durante 24 horas será de 2880 watts-hora, ou seja, 2,88 kWh (tomando como referência uma tarifa de eletricidade de 0,1587 euros por kWh, a energia consumida por esse equipamento terá um custo diário de quase 0,46 euros). 

RAB: designa, na terminologia da ERSE, a base regulada de ativos ("regulated asset base"), a partir da qual são calculados os ganhos permitidos às empresas reguladas. Se uma empresa gerir 3000 milhões de euros de RAB e o regulador aprovar uma taxa de remuneração de 8%, isso significa que essa companhia irá receber anualmente uma receita de  240 milhões de euros, como forma de pagamento dos investimentos feitos nessa base de ativos.  

Recursos contingentes: na indústria petrolífera os recursos contingentes são as quantidades de petróleo estimadas, numa determinada data, como sendo potencialmente recuperáveis a partir de jazidas conhecidas, mas que ainda não são comercialmente recuperáveis. Tal pode verificar-se porque a descoberta precisa de mais avaliações, porque a tecnologia de extração do petróleo precisa de ser melhorado ou porque ainda não há infraestruturas para levar o produto até aos clientes. Os recursos contingentes não podem ser considerados como reservas.  

S

Subestação: é um posto composto por várias instalações elétricas, incluindo transformadores que fazem a conversão da tensão para permitir que a eletricidade circule em linhas diferentes das usadas no seu transporte a partir das centrais de produção.  

Segurança N-1: é uma norma usada no planeamento energético para garantir que o sistema continuará a funcionar mesmo que um dos seus elementos de referência fique indisponível (por avaria, manutenção ou encerramento).

Tarifa social: é uma tarifa de eletricidade e de gás natural que confere às famílias de menores rendimentos um desconto face aos preços normais da energia. Podem aderir os clientes que estejam a receber complemento solidário para idosos, rendimento social de inserção, subsídio de desemprego, abono de família, pensão de invalidez ou pensão de velhice.  

Take or Pay: os contratos "Take or Pay" são contratos, utilizados por exemplo no mercado de gás natural, pelos quais um determinado comprador se compromete a adquirir anualmente um certo volume, sendo que se esse comprador não precisar, em algum momento, de todo o gás contratado, poderá não o receber, mas terá de o pagar na íntegra. 


UAG: as unidades autónomas de gás são pequenos terminais usados para receber por camião volumes de gás natural liquefeito (GNL), armazená-los e posteriormente regaseificá-los de forma a que o gás possa chegar ao cliente final. Estas UAG são utilizadas em Portugal sobretudo em regiões do interior, onde o custo de construção de uma rede de gasodutos se revela especialmente caro, sendo economicamente mais vantajoso transportar o gás por camião-cisterna até à UAG e aí introduzi-lo no consumo local.  

Upstreamno negócio petrolífero designa a parte a montante da cadeia de valor, incluindo as atividades de prospeção, produção e transporte do petróleo até às refinarias.   

Volt: é uma unidade de tensão elétrica (distinta do watt, que é uma unidade de potência) que designa o potencial de transmissão de energia, por carga elétrica, entre dois pontos.  


Xisto: o petróleo ou o gás de xisto são os hidrocarbonetos descobertos neste tipo de formações geológicas, tendo nos últimos anos ganho notoriedade pela forma como várias companhias petrolíferas decidiram investir para recuperar essa energia, através do fraturamento hidráulico (ou "fracking", na expressão em inglês), um processo que se tornou polémico pelos riscos de contaminação dos lençóis freáticos e pelos tremores de terra que provocou em algumas regiões. 


ZEV: é uma sigla em inglês para "zero emission vehicles", que denomina os veículos sem emissões de dióxido de carbono (CO2), na sua maioria automóveis elétricos.