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Deserto de Mojave, terreno fértil para as energias limpas

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FOTO EDP

Mojave, na Califórnia, alberga o mais recente parque eólico da EDP, em saudável vizinhança com as mais antigas torres eólicas dos Estados Unidos. Um negócio que continua a apaixonar muita gente, como o veterano Jim Schroeder.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

No extenso deserto de Mojave, na Califórnia, os dias de sol trazem as condições perfeitas para as enormes centrais fotovoltaicas, com milhares de painéis a perder de vista, injetarem na rede energia suficiente para abastecer milhares de famílias, num país em que o consumo de eletricidade per capita é amplamente superior ao de Portugal. As centrais solares de Mojave acabam, assim, por ajudar a preencher a procura gerada pelo recurso intensivo aos aparelhos de ar condicionado que abundam nos espaços públicos e privados dos Estados Unidos.

Mas no deserto de Mojave não é apenas a energia solar que prospera. A árida paisagem é palco de enormes correntes de ar que fazem deste território um dos melhores locais dos Estados Unidos da América para produzir energia eólica. A EDP Renováveis está por estes dias a finalizar a instalação da terceira fase do parque eólico Rising Tree, que ficará com uma capacidade total de 200 megawatts (MW), distribuídos por 60 torres eólicas equipadas por modernos aerogeradores de 3,3 MW da dinamarquesa Vestas.

O parque da EDP Renováveis é, todavia, apenas uma pequena parte da gigantesca plantação de ventoinhas no deserto de Mojave, onde há hoje cerca de 6 mil torres eólicas, com uma potência agregada de 2000 MW, cerca de 40% da capacidade eólica existente em Portugal.

Numa visita ao parque Rising Tree, Jim Schroeder, responsável pela gestão da construção de parques da EDP Renováveis nos Estados Unidos, fala-nos com grande serenidade, e poucas palavras, de como a energia eólica continua a marcar a sua vida.

Com o vento a assobiar gelado junto à subestação que serve o parque Rising Tree, Jim confidencia que permanece apaixonado pelo negócio eólico, ao qual está ligado há 30 anos, 14 dos quais na francesa EDF. Agora, na EDP Renováveis, todo o ano Jim Schroeder corre os Estados Unidos a monitorizar o andamento de cada novo projeto da empresa, sem estar preso a um escritório fixo.

“Adoro o meu trabalho. Já me podia reformar, mas gosto do que faço todos os dias”, diz o responsável da EDP Renováveis. E não se vê a fazer outra coisa, nem mesmo na também promissora indústria fotovoltaica, em que a EDP também já começou a investir. “O negócio solar para mim seria aborrecido”, aponta Jim.

É este mesmo Jim que nos conta que além dos 250 proprietários de terrenos ocupados pelas torres eólicas em Mojave alguns houve que não quiseram arrendar as suas terras para a instalação das eólicas. Mas globalmente a recetividade das famílias com terrenos no deserto é positiva. Até porque em média cada torre eólica rende ao proprietário do imóvel onde está instalada 6 mil dólares por ano. Um bom complemento de reforma para muitas famílias.

Segundo Jim Schroeder, a EDP Renováveis faz questão de manter nos seus projeto uma “política de boa vizinhança” com as comunidades locais, para superar, quando necessário, a desconfiança e desconforto que possa haver com o ruído e impacto visual das torres eólicas.

Na vizinhança do parque Rising Tree, no deserto de Mojave, estão centenas e centenas de antigas torres eólicas, bem menores do que as que agora são instaladas. Os seus proprietários preferem continuar a usar os equipamentos antigos, e bem menos potentes, em vez de investirem em novas máquinas, porque as tarifas de venda da energia são generosas e, em muitos casos, os investimentos originais estão totalmente amortizados.

É neste pacífico convívio entre gerações antigas de tecnologia eólica e modernos equipamentos de grande porte que o deserto de Mojave vai fazendo a sua silenciosa revolução para providenciar à Califórnia importantes volumes de energia limpa. Turbinas de 1984 funcionam, na perfeição, na partilha do mesmo vento que alimenta aerogeradores de 2015, como os que agora povoam Rising Tree. Pelo meio, uma pequena sucata de carros, sem movimento, tão deserta como Mojave.