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Italianos da Enel põem à venda os seus parques eólicos em Portugal

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A Enel Green Power, que é o terceiro maior produtor de energia eólica em Portugal, assumiu o objetivo de vender os seus ativos no mercado português, um negócio que poderá movimentar cerca de 500 milhões de euros.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A italiana Enel Green Power quer desfazer-se dos seus ativos de energias renováveis no mercado português. A empresa, que é o terceiro maior produtor de energia eólica em Portugal, assumiu esta quinta-feira, numa apresentação a investidores, a vontade de vender a sua carteira de ativos no território nacional.

Em comunicado ao mercado a empresa, que herdou o negócio de energias renováveis da espanhola Endesa, admite que pretende "identificar potenciais desinvestimentos de ativos operacionais cujos fundamentos de investimento se tenham modificado com o passar do tempo, para acelerar o retorno do investimento". "É este o caso da carteira da empresa em Portugal, onde a Enel Green Power está a avaliar um possível desinvestimento", refere o comunicado. 

A 15 de abril a agência Bloomberg havia noticiado que a Enel Green Power estava a equacionar vender vários ativos. Citando fontes próximas do processo, a Bloomberg indicava que o grupo italiano poderia arrecadar cerca de 500 milhões de euros com a alienação da sua operação em Portugal.   

Em causa está uma carteira de 640 megawatts (MW) de parques eólicos já em funcionamento, concentrados principalmente nas regiões Centro e Norte de Portugal. Estes ativos incluem já os cerca de 500 MW que a Enel Green Power detém em função da sua participação no consórcio Eneop, o qual se encontra neste momento em processo de divisão jurídica de ativos pelos acionistas (a Enel Green Power tem uma posição de 40%, tal como a EDP Renováveis, e a Generg tem os restantes 20%).   

Na sua apresentação aos investidores, a Enel Green Power explica que a decisão de vender a sua operação eólica em Portugal se deve ao facto de após a conclusão do projeto Eneop haver um "desenvolvimento adicional limitado" de projetos eólicos no país. Além disso, a carteira de ativos portugueses, ao estar abrangida por um "quadro regulatório estável", leva o grupo italiano a esperar um "forte apetite" dos investidores por estes parques já em operação.   

Ao controlar 640 MW de capacidade eólica em Portugal, a Enel Green Power posiciona-se como o terceiro maior operador de energia do vento no mercado português, apenas atrás da EDP Renováveis (que além de 624 MW próprios tem 533 MW oriundos do consórcio Eneop, perfazendo um total de 1.157 MW) e da Iberwind.   

A Enel Green Power não apontou o encaixe previsto com a venda dos ativos em território luso, mas em cima da mesa estarão centenas de milhões de euros, assumindo que os pressupostos financeiros das últimas transações de ativos eólicos não se alteraram.   

Um dos últimos grandes negócios envolvendo ativos eólicos em Portugal foi a compra de 49% da EDP Renováveis Portugal pela China Three Gorges, por 368 milhões de euros. O negócio, concluído em junho de 2013, abrangeu 615 MW de parques eólicos em operação e 29 MW de parques em desenvolvimento (ou seja, uma operação de dimensão semelhante à que a Enel agora quer vender).