Siga-nos

Perfil

Economia

Energia

EDP Renováveis ganha 23 milhões de euros ao renegociar empréstimos da EDP

  • 333

A EDP Renováveis produziu menos no primeiro trimestre, mas as suas receitas cresceram 10%.

Tiago Miranda

A empresa de energias limpas aproveitou a boleia das baixas taxas de juro para acordar com a EDP, seu maior financiador, melhores condições num conjunto de empréstimos no montante de 1.100 milhões de euros.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP Renováveis espera poupar anualmente 23 milhões de euros fruto de uma renegociação de um conjunto de empréstimos que tem com o seu maior acionista, a EDP. A informação foi avançada esta quarta-feira pela administração da EDP Renováveis, durante a conferência de apresentação dos resultados do primeiro trimestre.   

Em causa esteve uma renegociação de dívida em meados de março, de que a EDP Renováveis agora deu conta. No final do primeiro trimestre a empresa tinha uma dívida financeira de 4.055 milhões de euros, dos quais 77% eram empréstimos de longo prazo contraídos junto da EDP e os restantes 23% empréstimos bancários.   

A renegociação feita há um mês e meio, envolvendo pouco mais de um terço da dívida à EDP, num montante de 1.100 milhões de euros, permitiu à EDP Renováveis baixar os juros suportados com esses empréstimos, que caíram de 5,1% ao ano para 2,9%, informou a companhia presidida por João Manso Neto.  

Além de tornar o custo médio dessa dívida mais baixo, a EDP Renováveis conseguiu estender a sua maturidade: em vez de reembolsar os 1.100 milhões de euros em 2018 e 2019, como estava previsto, a empresa irá pagar à EDP aquele montante de forma gradual entre 2017 e 2020.   

Na conferência com analistas financeiros realizada esta quarta-feira o presidente executivo da EDP Renováveis foi questionado sobre a possibilidade de a empresa renegociar com a casa-mãe a outra fatia dos empréstimos da EDP, ou seja, cerca de 2.000 milhões de euros.   

João Manso Neto sublinhou que o acordo com a EDP foi feito através de "transações de mercado", acrescentando que novas renegociações de dívida acontecerão sempre que for possível. "Iremos continuar a renegociar as taxas quando for possível", declarou o gestor.   

A EDP é o maior acionista da EDP Renováveis, detendo 77,5% do capital da empresa. Esta renegociação de dívida entre a empresa de energias limpas e a casa-mãe acontece depois de a EDP ter feito, nos últimos meses, uma série de operações financeiras que permitiram ao grupo presidido por António Mexia baixar, também ele, o custo médio da sua dívida. Esse benefício é agora partilhado com a EDP Renováveis (que, em última análise, terá melhores condições para remunerar a globalidade dos seus acionistas, incluindo os minoritários).    

A EDP Renováveis fechou o primeiro trimestre com um lucro de 70 milhões de euros, mais 7% do que em igual período do ano passado. Para esse desempenho contribuiu a subida das receitas em 10%. A renegociação de dívida com a EDP não teve ainda impacto nas contas do primeiro trimestre, devendo começar a fazer-se sentir nos próximos trimestres, aliviando os custos financeiros da EDP Renováveis.