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Importação portuguesa de energia cai para o valor mais baixo dos últimos quatro anos

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A fatura da dependência energética que Portugal tem do exterior voltou a cair em 2014, saldando-se em 5,7 mil milhões de euros. A queda da cotação do petróleo  é a principal explicação.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Portugal pagou em 2014 uma fatura de importação de energia mais baixa do que a de 2013. Mas não só houve uma redução face ao ano anterior, como o saldo importador de energia foi o mais baixo dos últimos quatro anos, de acordo com a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

Em 2014 o saldo importador (ou seja, o valor total de importações deduzido do montante que o país faturou com exportações) foi de 5.710 milhões de euros, menos 8,4% do que em 2013. É preciso recuar a 2010, quando as importações líquidas foram de 5.561 milhões de euros, para encontrar um saldo importador mais reduzido.  

A descida da fatura com o exterior é explicada em grande medida pelo recuo da generalidade dos preços dos produtos energéticos, num contexto de estabilidade do câmbio do euro face ao dólar, explica o mais recente relatório da DGEG sobre o tema.   

Ao nível das importações, o custo da aquisição de petróleo bruto e refinado caiu 12% no ano passado, para 8.352 milhões de euros, não obstante o volume importado ter subido 0,2%, para 15,4 milhões de toneladas. A segunda rubrica mais relevante de importações energéticas é a compra de gás natural, que em 2014 custou a Portugal 1.611 milhões de euros, mais 7,3% que em 2013 (apesar de o volume importado ter baixado 4,2% face a 2013).  

Com menor peso, a importação de eletricidade custou 198 milhões de euros no ano passado (menos 23% que em 2013), e a de carvão rondou os 250 milhões de euros (recuando quase 3% face ao ano anterior). Já o custo da importação de biomassa subiu 32%, para 18 milhões de euros.   

Todos os produtos somados, as importações portuguesas de energia cifraram-se em 10.427 milhões de euros, menos 9,5% que em 2013, informou a DGEG.  

Em sentido contrário, as exportações energéticas nacionais decresceram 10,8%, para 4.716 milhões de euros, numa evolução que se justifica, em larga medida, pelo menor valor da exportação de produtos petrolíferos refinados, que caiu 11,6%, para 4.317 milhões de euros.   

De resto, no ano passado Portugal também exportou eletricidade (154 milhões de euros), gás natural (118 milhões) e biomassa (109 milhões).  

Em relação ao custo que a dependência energética do exterior tem para a economia portuguesa, a DGEG indica que o peso do saldo importador de energia no Produto Interno Bruto (PIB)  foi de 3,3% em 2014, abaixo dos 3,7% verificados em 2013.   

Angola mantém liderança nas importações portuguesas de petróleo
Os dados da DGEG indicam que Angola conservou a posição de maior fornecedor de petróleo de Portugal. Daquele país africano o mercado nacional recebeu 2,9 milhões de toneladas de petróleo bruto no ano passado, abaixo dos 4,2 milhões de toneladas do ano anterior.   

A segunda maior origem do petróleo que chegou a Portugal em 2014 foi a Arábia Saudita, com 1,4 milhões de toneladas fornecidas, seguindo-se a Argélia, com 1,1 milhões de toneladas, e vários mercados na casa do milhão de toneladas, nomeadamente Azerbaijão, Cazaquistão e Nigéria.   

Note-se ainda que no ano passado Portugal deixou de importar petróleo da Líbia, de onde tinha adquirido 156 mil toneladas em 2013 e 489 mil toneladas em 2012. Entre novos mercados fornecedores contam-se, em 2014, o Reino Unido, que enviou para Portugal 82 mil toneladas de petróleo bruto para Portugal, e a República do Congo, com meio milhão de toneladas.