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Economias ricas vão emitir 23,2 biliões de dólares em dívida até 2017

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FMI estima que, em média, o grupo das 25 economias avançadas - onde se inclui Portugal - tem necessidades brutas de financiamento anuais de 18,1% do PIB. Vítor Gaspar avisa que endividamento não ajuda à recuperação e que inflação baixa é uma dificuldade adicional 

As economias avançadas vão ter que emitir dívida no valor de 23,2 biliões de dólares (21,9 biliões de euros) até 2017, de acordo com os números do relatório Fiscal Monitor divulgados hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington onde decorrem as suas reuniões de primavera. Só este ano, terão que ser colocados no mercado quase 7,9 biliões de dólares (7,5 biliões de euros).

São as necessidades brutas de financiamento das economias avançadas - 25 no total - identificadas pelo Fundo Monetário Internacional para o período 2015-2017 e que resultam dos défices orçamentais e da dívida que vai ter que ser amortizada.

As emissões de dívida que terão que ser realizadas por este grupo de países, onde se inclui Portugal, corresponde a um valor médio anual de 18,1% do PIB. A magnitude resulta do facto de, no clube dos devedores, estarem presentes gigantes como os EUA (que tem uma dívida pública de 105% do PIB), o Japão (com uma dívida de 246% do PIB e a ter que refinanciar o equivalente a 52% este ano) ou Itália (dívida de 133,8% e a refinanciar mais de 20%).

Portugal apresenta alguns dos piores números ainda que, devido à reduzida dimensão relativa, não pese de forma significativa nas necessidades de financiamento globais. A dívida pública portuguesa, estima o FMI, deve descer este ano para 126,3% do PIB e as necessidades brutas de financiamento ao longo deste período variam entre 20,1% do PIB em 2015 e 16,7% em 2017. 

Dívida vai custar a baixar

O ex-ministro das Finanças e atual diretor do departamento de Assuntos Orçamentais do FMI, Vítor Gaspar, sublinhou que a recuperação está em curso, "suportada por diversos fatores, incluindo preços do petróleo mais baixos, uma política monetária continuadamente acomodatícia e um menor ritmo de ajustamento orçamental", mas avisou que há riscos. Principalmente na frente orçamental.

Na declaração inicial de apresentação do Fiscal Monitor, elaborado pelo departamento que dirige, Gaspar lembrou que "os níveis elevados de dívida pública colocam entraves ao crescimento" e também "levantam receios sobre a sustentabilidade da dívida em algumas economias avançadas". O que é particularmente difícil de gerir num contexto de inflação baixa.

O relatório revela que a dívida publica global deverá aumentar para 80,4% do PIB este ano, devendo diminuir para 80% em 2016. Em termos líquidos, o endividamento ascende, ainda assim, a 61,3%.

As economias avançadas são, claramente, as mais mal comportadas com uma dívida de 105,4% do PIB (105,1% estimados para o próximo ano), destacando-se vários países com valores acima da média. A começar no Japão, que é o recordista absoluto na dívida bruta (embora a líquida seja de 131,9%), seguido da Grécia (172,7%), Itália (133,8%) e Portugal (126,4%).  

Já as economias emergentes e de rendimento médio têm endividamento de 43,9% do PIB este ano.