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Pronto para se promover

Negócio: Twitter decide vender publicidade.

Exclusivo Expresso/The Economist

O Twitter dar lucro? Esta pergunta simples mas vital tem acompanhado em permanência o serviço de microblogging desde o dia do seu nascimento, há três anos. Agora o Twitter revela-se, provando que a resposta é afirmativa. No dia 13 de Abril desvendou um plano publicitário há muito esperado que, argumenta, poderá fazer fortuna para a empresa. No dia seguinte na Chirp, a primeira conferência do Twitter para empresas que desenvolvem software e serviços na sua plataforma, o administrador-delegado, Evan Williams, referiu que a nova iniciativa beneficiaria todo o "ecossistema" do Twitter, incluindo os seus 106 milhões de utilizadores registados.

E bem precisa, se é que o Twitter pretende tornar-se um êxito comercial. A empresa concentra-se há muito na captação de utilizadores para o seu serviço e de fundos de investidores de capital de risco - a sua última ronda de financiamento foi avaliada em mil milhões de dólares (perto de 745 milhões de euros) - em vez de procurar uma forma de lucrar com a sua florescente audiência. Agora tem de demonstrar que a sua valorização exponencial se justifica, protegendo simultaneamente a rede independente que já produziu a maior parte das mais de 100.000 aplicações (apps) relacionadas com o Twitter actualmente disponíveis.

Avaliar o sucesso

Alguns especialistas na área do marketing social afirmam que a natureza do serviço do Twitter, que envolve a comunicação através de tweets com 140 caracteres, torna difícil gerar receitas. Os patrões do Twitter discordam, mas avançam com cautela. Por agora apenas estão a permitir que anunciantes como a Starbucks e a Virgin America, uma linha aérea, coloquem os chamados "tweets de promoção" no topo das listas de resultados no motor de busca do serviço, em tudo semelhante à venda no Google de anúncios baseados em palavras-chave das buscas. Todos os tweets promocionais serão sujeitos a um "ensaio de ressonância" que mede, entre outros, a frequência com que recebem uma resposta ou são reencaminhados para outros utilizadores, sendo retirados os que não forem populares junto dos utilizadores do Twitter.

O Twitter diz que quer ver qual o nível de sucesso desta abordagem antes de avançar para a fase seguinte do seu plano, que implicará a disponibilização de tweets promocionais a apps de terceiros e a sua colocação ao lado dos tweets de utilizadores individuais. Alarmados perante esta perspectiva, alguns utilizadores já apelaram ao Twitter para que não "polua" os seus pensamentos com anúncios e ameaçaram abandoná-lo caso a empresa o faça. Não obstante, a menos que ocorra uma revolução em massa durante os próximos meses, é praticamente certo que o Twitter avançará.

Será que estamos perante uma enorme máquina de fazer dinheiro? Os cépticos chamam a atenção para o facto de os anúncios no Google apresentarem taxas compensadoras, dado que os seus utilizadores estão muitas vezes à procura de concretizar uma compra. É menos provável, dizem, que a audiência do Twitter esteja às compras, sendo por isso menos valiosa para os publicitários. O director de operações do Twitter, Dick Costolo, discorda desta opinião, argumentando que as pessoas usam muitas vezes o serviço para procurar, por exemplo, reacções imediatas ao lançamento de produtos.

Não obstante, o Twitter está a cobrir as suas próprias apostas. Já assinou contratos com motores de busca como o Google e o Bing da Microsoft que lhes permite integrar tweets nos seus resultados de busca. E está a desenvolver análises de mercado para vender a empresas que desejem saber como são avaliadas na Twitteresfera. Sem dúvida que irá também produzir outras formas de fazer dinheiro.

Amigos e anunciantes

Algumas delas podem entrar em concorrência com as ofertas dos programadores. Houve protestos na Chirp relativos à recente aquisição, por parte do Twitter, da Atebits, o fabricante do Tweetie, um programa que permite que as pessoas giram os seus tweets a partir de iPhones e computadores Macintosh. Os fabricantes de programas rivais queixam-se de que o Twitter concorre agora com eles. "É assustadora a forma como o fizeram", comenta Loic Le Meur of Seesmic, um programador de apps. "De facto, podíamos ter informado melhor quais eram as nossas intenções", concedeu Evan Williams.

A história da informática está recheada de exemplos de empresas, incluindo a Microsoft e a Apple, que adicionaram aos seus produtos características que tinham sido anteriormente fornecidas por empresas mais pequenas. O Twitter está a tentar minimizar os receios dos programadores ao ser mais claro quanto às áreas em que poderá um dia intrometer-se. Pode também acalmá-los oferecendo-lhes uma quota generosa das receitas no caso de alargar a sua plataforma publicitária às suas apps.

Tudo isto importa porque os rivais do Twitter desenvolveram os seus próprios e potentes ecossistemas. Na próxima semana, por exemplo, o Facebook realizará o seu congresso para programadores, o f8, no qual se prevê sejam reveladas novas fontes de dados que eles possam usar nas suas apps. É provável que venha a ser ainda mais fácil estabelecer ligações com outros websites e colocar informação do exterior no Facebook. Com um adversário desta envergadura, o Twitter precisa de todos os amigos - e anunciantes - que consiga encontrar.

(c)2010 The Economist Newspaper Limited. Todos os direitos reservados. Em The Economist, traduzido por Alice Stilwell para Impresa Publishing, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado em www.economist.com