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Tsipras "refresca" equipa de negociadores para resguardar Varoufakis

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Atenas decidiu envolver mais pesos pesados do governo nas negociações políticas e técnicas com os credores oficiais, resguardando o ministro das Finanças Varoufakis, fortemente atacado na última reunião do Eurogrupo em Riga.

O governo grego anunciou esta segunda-feira um "refrescamento" das equipas envolvidas nas negociações com os credores oficiais no âmbito do Grupo de Bruxelas e das reuniões de recolha de dados na Grécia por parte de equipas técnicas das instituições envolvidas no resgate à Grécia, segundo noticiam os jornais gregos "Kathimerini" e "Protothema".

A mudança das equipas políticas e técnicas de apoio à negociação, com o envolvimento de pesos pesados do governo de Atenas na área de política económica, pretende resguardar o ministro das Finanças Yanis Varoufakis fortemente atacado pelos pares na última reunião do Eurogrupo em Riga, na Letónia, realizada na semana passada, e no Parlamento grego por deputados da Nova Democracia, na Oposição, que exigiram a sua demissão imediata.

Uma equipa política entra, agora, em campo chefiada pelo académico Euclid Tsakalotos, ex-porta-voz Económico do Syriza no Parlamento antes das eleições de janeiro e atual  ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros responsável pelas Relações Económicas Internacionais. Tsakalotos disse esta segunda-feira no Parlamento grego que "quando se fazem negociações cometem-se erros e que só não se cometem quando não se está a negociar". Segundo o jornal "Protothema", Tsakalotos acrescentou que, como se cometeram erros nas negociações, decidiu-se, agora, "melhorar a coordenação".

As negociações técnicas no âmbito do Grupo de Bruxelas  passam a ser dirigidas por Giorgos Houliarakis, um dos especialistas do grupo do vice-primeiro-ministro Yannis Dragasakis e que é atualmente presidente do Conselho de Peritos Económicos.

Tsakalotos é doutorado pela Universidade de Oxford e Houliarakis regressou da Universidade de Manchester para o ministério de Finanças do novo governo.

Para lidar com os grupos de técnicos dos credores oficiais que recolhem dados na Grécia, Spyros Sagias, secretário-geral do próprio Conselho de Ministros, fará a coordenação.

Finalmente, Nikos Theoharakis, secretário-geral do ministério das Finanças responsável pelo Planeamento Orçamental, que tem dirigido as negociações no âmbito do Grupo de Bruxelas, foi incumbido de preparar um "plano para o crescimento".

As negociações no Grupo de Bruxelas foram retomadas esta segunda-feira com uma teleconferência e prosseguirão na próxima quarta-feira.

O final de abril aproxima-se sem que um acordo exista sobre uma lista de reformas a implementar pelo governo grego, conforme tinha sido decidido no acordo de extensão do plano de resgate até final de junho. Em relação à lista apresentada por Varoufakis permanece um conjunto de pontos de divergência. O jornal "Protothema" sistematizou as divergências em quatro áreas onde as pretensões dos credores oficiais chocam com "linhas vermelhas" que impedem politicamente cedências dos negociadores gregos. Segurança social, legislação laboral, revisão do IVA e destino das receitas das privatizações são pontos onde a convergência é limitada.

Para manter o canal político aberto, em virtude do risco de um "acidente grego" na sequência de eventualidade de rutura nas negociações no Grupo de Bruxelas e de impasse nas discussões no Eurogrupo, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras e a chanceler alemã Angela Merkel decidiram, no domingo, manter-se em contacto direto. A decisão dos dois políticos vem na sequência do encontro que mantiveram na semana passada à margem da cimeira europeia extraordinária sobre a crise do Mediterrâneo. 

Maioria quer compromisso e continuar no euro`

O gabinete de Tsipras leu com atenção, também, as indicações das duas sondagens divulgadas este fim-de-semana. Uma esmagadora maioria de 72,9% dos inquiridos pela Kappa para o jornal "To Vima" querem que a Grécia permaneça no euro. Inclinam-se, por isso, para um compromisso com os credores oficiais 71,9% segundo a sondagem da Kappa e 50% segundo a sondagem da Alco para o jornal "Protothema". A satisfação com a atuação do governo nas negociações baixou de 52% para 39% na sondagem da Alco, mas o ministro das Finanças Varoufakis continua com um apoio de 55%.

O medo de um incumprimento de dívida preocupa 63% dos inquiridos pela Alco. A saída do euro preocupa 68,8% dos inquiridos na sondagem da Kappa e 48% na sondagem da Alco. Se as negociações correrem mal, 44,2% pretendem um governo de "consenso nacional", 32,7% um referendo e 18,7% eleições legislativas antecipadas, segundo a sondagem da Kappa. Para os inquiridos pela Alco, 51% querem que o atual governo continue a gerir a crise, 27% querem referendo e 15% eleições antecipadas.

Em novas eleições legislativas antecipadas o Syriza voltaria a ganhar por uma votação próxima da de janeiro, ou superior, e a Nova Democracia, principal partido de Oposição e líder da anterior coligação governamental, ficaria em segundo lugar com uma menor votação do que em janeiro. Segundo os resultados, 35,9% escolheriam o Syriza (face a 36,3%  nas eleições de janeiro) e 21,8% a Nova Democracia (face a 27,8% em janeiro), na sondagem da Alco. Para os inquiridos pela Kappa, a votação no Syriza seria ligeiramente superior à de janeiro, agora com 36,9%, e na Nova Democracia desceria para 21,7% .