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Telefone vermelho entre Merkel e Tsipras para evitar "acidente grego"

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Angela Merkel e Alexis Tsipras estiveram reunidos em Bruxelas do dia 23, à margem do encontro de líderes europeus para abordar a resposta a dar emigração de africanos, e continuam em contacto permanente a tentar resolver o problema do financiamento grego

ANDREA BONETTI/EPA

Em virtude do clima de crispação gerado na última reunião do Eurogrupo em Riga, a chanceler alemã e o primeiro-ministro grego decidiram este domingo manter contacto direto sobre o andamento das negociações no Grupo de Bruxelas sobre a lista de reformas helénica.

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras e a chanceler alemã Angela Merkel decidiram num telefonema realizado este domingo manter um contato direto durante as negociações que vão continuar a correr no âmbito do Grupo de Bruxelas sobre a lista de reformas apresentada pelo ministro das Finanças helénico Yanis Varoufakis, noticia a Reuters com base em informação de fontes oficiais de Atenas.

O clima degradou-se na última reunião do Eurogrupo em Riga, na Letónia, com ataques ao ministro grego. Segundo a Bloomberg, Varoufakis foi acusado de "amador e jogador" e de andar a "fazer perder tempo" aos outros colegas. O semanário financeiro grego "Agora" falou de "ataques verbais sem precedentes" ao ministro grego. A reunião da passada sexta-feira inviabilizou, também, a possibilidade de um acordo provisório, interino, com base na convergência já obtida em diversas áreas e permitindo um pagamento parcial a Atenas das tranches em atraso do plano de resgate.

Merkel e Tsipras pretendem manter um contato direto para evitar o pior, um "acidente grego", ou seja uma situação de rutura nas negociações que empurre a Grécia para um incumprimento na dívida externa.

O Grupo de Bruxelas, que reúne os representantes do governo grego e dos credores oficiais, incluindo o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (que passa os cheques das tranches do resgate europeu), vai trabalhar em teleconferência na segunda-feira e deverá reunir na quarta-feira.

Entretanto, em Atenas, o Parlamento aprovou, já na marugada de sábado, a decisão governamental de criação de uma "almofada financeira" obrigando a uma centralização dos ativos de capital de 1500 entidades públicas numa conta especial no Banco Central grego. Votaram a favor 156 (menos 6 votos do que o total de deputados que a coligação governamental entre o Syriza e o ANEL dispõe no Parlamento) e contra 104, num total de 300 deputados.