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Semana fecha com mínimos históricos nos juros da dívida

Com a acalmia da crise do rublo, a divulgação de uma nova palavra mágica pela Reserva Federal e a subida do preço do petróleo, os juros da dívida soberana da maioria dos periféricos do euro desceram depois de um pico de pânico financeiro a 16 de dezembro.

As yields da Obrigações do Tesouro português no prazo de referência, a 10 anos, desceram na sexta-feira no mercado secundário da dívida soberana para o mínimo histórico de 2,73%, segundo dados da Investing.com. Esse mínimo, em valor de fecho da sessão, havia sido estabelecido em 8 de dezembro. O custo de financiamento da dívida a 10 anos está abaixo de 3% desde 24 de novembro.

Em relação ao fecho a 12 de dezembro, o custo de financiamento da dívida portuguesa na maturidade de referência desceu durante a semana 23 pontos base, mais do que a redução de 20 pontos base nas yields das obrigações espanholas, mas muito menos do que a quebra de 80 pontos base nas yields das obrigações gregas.

 

Fatores que acalmaram a crise A descida das yields da dívida obrigacionista na zona euro a partir de quarta-feira deveu-se a um conjunto de fatores

Primeiro, a crise do rublo foi debelada com as medidas tomadas pelo Banco Central da Rússia a 16 e 17 de dezembro (sem que tenha tido necessidade de recorrer a "bombas atómicas" como a imposição de controlo de capitais e anúncio de futuras moratórias na amortização de dívida de entidades financeiras e não financeiras).

Depois, a Reserva Federal norte-americana, a 17 dezembro, no final da sua última reunião do ano, tranquilizou os investidores financeiros dizendo que não se precipitará na decisão de início de encarecimento do dinheiro em 2015, garantindo que mostrará "paciência" até decidir a primeira subida da taxa diretora de juros que está atualmente perto de 0%.

Os analistas destacaram, ainda, as palavras de Benoît Coueré, do conselho diretivo do BCE, em entrevista ao "The Wall Street Journal" no dia 17 de dezembro. A compra de dívida soberana dos membros do euro em 2015 é "a opção base", disse o economista francês, banqueiro central desde 2011. Mas, a Reuters divulgou no dia seguinte que o BCE, a avançar para essa solução, exigirá aos bancos centrais dos membros mais frágeis do euro a constituição de provisões que cubram potenciais perdas em relação à dívida obrigacionista que venha a ser comprada pelo banco central. Grécia e Portugal foram os dois países referidos expressamente pela fonte que falou, sob anonimato, à Reuters.

Finalmente, o preço do barril de petróleo da variedade Brent, negociada em Londres, depois de um mínimo de 59,82 dólares registado no dia 18, fechou a semana em alta, registando 61,20 dólares.

 

Descida do pânico financeiro Em virtude da crise do rublo, o índice de pânico financeiro relacionado com o índice bolsista europeu Eurostoxx 50 disparou para 32,31 euros a 16 de dezembro, o dia do auge da crise cambial russa, mas terminou a semana em 23,62 euros, um nível inferior ao fecho a 12 de dezembro em 26,50 euros. O pico de 16 dezembro marcou a quarta onda de pânico nos mercados financeiros em 2014 e a segunda mais elevada depois da ocorrida em meados de outubro.

Apesar da acalmia, a Markit avisou que é previsível o regresso da volatilidade na Europa em 2015 se o Banco Central Europeu (BCE) não der sinais claros aos investidores financeiros, nas reuniões de 22 de janeiro ou 5 de março, que tomará novas medidas de política monetária não convencionais.

O abrandamento do pânico, gerou uma trajetória de descida para mínimos históricos nas yields da maioria dos periféricos do euro e das obrigações alemãs e francesas.

As yields das obrigações espanholas a 10 anos fixaram um mínimo histórico de 1,69% durante a sessão de 19 de dezembro e fecharam a semana em 1,72%, uma redução de cerca de 20 pontos base em relação ao fecho de 12 de dezembro. No caso das obrigações italianas no prazo de referência, o mínimo fixou-se em 1,92% a 18 de dezembro e fechou a semana em 1,97%. Para as obrigações irlandesas, no mesmo prazo, o mínimo foi atingido a 16 de dezembro registando 1,27% e fechou a semana em 1,3%. O custo de financiamento da dívida irlandesa é o mais baixo entre os periféricos. 

 

Segunda volta das presidenciais em Atenas marca próxima semana A Grécia continua a ser a exceção entre os periféricos da zona euro. O custo de financiamento continua muito elevado com as yields das obrigações no prazo a 10 anos a fecharem a semana em 8,38%, uma redução de 80 pontos base em relação ao fecho em 9,18% a 12 de dezembro. A trajetória de subida do custo de financiamento iniciou-se com a decisão do governo grego em convocar eleições presidenciais antecipadas e com o disparo do risco político.

A 17 de dezembro realizou-se, no Parlamento helénico, a primeira volta, não tendo o candidato presidencial Stavros Dimas apresentado pelo governo recolhido os 200 votos necessários, tendo ficado por 160 votos a favor (mais cinco votos do que o conjunto das bancadas da Nova Democracia e do PASOK que apoiam o governo de coligação conservador-socialista). A cena política grega está ao rubro com a difusão de um vídeo mostrando alegadamente uma tentativa gorada de compra do voto do deputado Pavlos Haikalis, do partido Gregos Independentes, no início de dezembro. O governo contra-atacou qualificando-a de provocação fabricada. A segunda volta realiza-se na próxima terça-feira, 23 de dezembro, sendo necessários, de novo, 200 votos (em 300 deputados) para eleger o presidente da República. Caso o candidato único não os obtenha, de novo, será convocada uma terceira volta para dia 29, em que bastarão 180 votos para o eleger. No caso de nem a 29 ser eleito o novo presidente para tomar posse em março, o Parlamento terá de ser dissolvido e convocadas eleições legislativas antecipadas. A mais recente sondagem eleitoral, divulgada na sexta-feira, aponta para uma vitória do partido de oposição Syriza com 36,5% dos votos, seguido da Nova Democracia, que lidera o atual governo, com 29,5%.

O custo de segurar a dívida grega contra o risco de incumprimento atingiu 1133 pontos base a 17 de dezembro, o dia da primeira volta de eleições, e baixou no fecho da semana para 1040,13 pontos base, um nível ainda muito elevado que aponta para uma probabilidade de bancarrota na ordem de 56%.

Com a volatilidade financeira verificada face à crise do rublo, a procura de ativos de refúgio acentuou-se, segundo os analistas. O custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos desceu para um mínimo histórico de 0,565% a 17 de dezembro e fechou a semana em 0,595%. No caso das obrigações francesas, as yields desceram para um mínimo de 0,847% a 18 de dezembro e fecharam em 0,886%.

 

O Banco Nacional da Suíça (SNB), o banco central do país cuja moeda é tradicionalmente um ativo de refúgio em períodos de pânico financeiro, tomou duas medidas drásticas esta semana face à pressão em alta sobre a moeda derivada da corrida dos investidores à compra de francos suíços.

Por um lado, agravou a taxa negativa de remuneração de depósitos nos seus cofres para -0,25% a partir de 22 de janeiro de 2015. O SNB decidiu uma punição ainda maior sobre o parqueamento de depósitos nos seus cofres ainda mais elevada do que o BCE (cuja taxa negativa de remuneração de depósitos está em -0,20 desde setembro), mas essa punição aplica-se a depósitos que excedam 20 vezes os mínimos de reserva exigidos.

Por outro lado, decidiu descer a taxa diretora de juros parcialmente para terreno negativo para uma margem de flutuação ampla entre -0,75% e 0,25%. Em 0% ou perto, situam-se as taxas diretoras do Banco Central da Suécia (0%, desde 28 de outubro), do BCE (0,05% desde setembro), do Japão (0% a 0,10% desde 2010) e da Reserva Federal (0% a 0,25% desde 2008). O Banco de Inglaterra, desde 2009, que mantém uma taxa diretora de 0,5%.

A Suíça defronta uma situação de deflação anual, que em novembro registava em termos homólogos -0,06%. Em termos de comparação, a inflação anual em novembro na zona euro desceu para 0,3%, como confirmou, esta semana, o Eurostat.