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Rentabilidade da dívida portuguesa lidera na Europa, mas desceu em março

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O retorno das obrigações portuguesas nas últimas 52 semanas é o mais alto nos membros da União Europeia, mas desceu de 18,86% para 16,22% entre o final de fevereiro e o final de março, segundo o índice da Bloomberg.

A dívida obrigacionista portuguesa continua a apresentar a mais alta rentabilidade medidas nas últimas 52 semanas no conjunto da União Europeia. Fechou o mês de março em 16,22% face a uma média de 13,58% para toda a dívida obrigacionista da zona euro, segundo o índice da Bloomberg.

Em segundo lugar ficou a dívida italiana com uma rentabilidade nas últimas 52 semanas de 15,88% e na terceira posição a dívida britânica registando 14,48%. A pior situação verifica-se com a dívida obrigacionista grega cuja rentabilidade negativa se agravou, de -10,69% no final de fevereiro para -27,10% no final de março.

Apesar de continuar a liderar, a rentabilidade da dívida portuguesa nas últimas 52 semanas desceu de 18,86% no final de fevereiro para 16,22% no final de março, enquanto a média para a zona euro subiu de 13,11% para 13,58%.

No mercado secundário, analisando a evolução das yields para as obrigações no prazo de referência, a 10 anos, o mês de março fechou com as descidas mais significativas para as obrigações britânicas (menos 22 pontos base), portuguesas (menos 15 pontos base) e alemãs (menos 14 pontos base) em relação aos níveis registados no fecho de fevereiro. Em março, fixaram-se novos mínimos históricos para as yields das obrigações dos periféricos, com exceção da Grécia, e das economias do centro com destaque para a Alemanha e França.

A situação grega continua a agravar-se com as yields das obrigações a atingirem 24,42% a 19 de março no prazo a 2 anos e 18,2% no dia seguinte no prazo a 5 anos. Fecharam no final de março 2 pontos percentuais acima no prazo de referência, a 10 anos, em relação ao fecho de fevereiro. O custo de segurar a dívida grega a 5 anos contra uma bancarrota subiu de 1647,84 pontos base no final de fevereiro para 2465,6 pontos base no final de março, o que coloca a Grécia no "clube" das quatro economias do mundo com mais elevada probabilidade de sofrerem um incumprimento de dívida, liderado pela Venezuela e onde se incluem também a Ucrânia e o Paquistão.  Os jornais gregos dão conta de uma saída de depósitos dos bancos na ordem dos 3 mil milhões de euros em março o que sobe o montante da fuga para 27 mil milhões de euros desde dezembro de 2014.

Mínimo histórico nas yields, mas notação continua em "lixo"

Nos periféricos, as yields das Obrigações do Tesouro português, naquela maturidade de referência, chegaram a descer para 1,51% em meados de março, e fecharam em 1,69%. As yields das obrigações espanholas e italianas a 10 anos aproximaram-se de 1%. As yields mais baixas entre os periféricos registam-se com as obrigações irlandesas que fixaram um mínimo de 0,68% e fecharam em 0,75%, situando-se já num outro campeonato.

Fruto das condições favoráveis que têm permitido ao Tesouro ir ao mercado primário financiar-se a taxas em mínimos históricos, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) iniciou o processo de pagamento antecipado do empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) no âmbito do resgate. Os primeiros três pagamentos do IGCP realizaram-se a 13, 16 e 18 de março e representaram a liquidação de 22% do empréstimo do FMI. Os reembolsos eram originalmente devidos entre novembro de 2015 e outubro de 2017. Em março, o IGCP não realizou leilões de dívida obrigacionista.

Recorde-se que em março quer a Standard & Poor's quer a Fitch não graduaram a notação da dívida de longo prazo portuguesa para o grau inferior de investimento, mantendo o rating em dívida especulativa (vulgo "lixo financeiro").

Inflação negativa recua e euro desvaloriza

O traço marcante do mês foi o início do programa alargado de compra de dívida pública entre 2 e 30 anos no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (BCE). Entre 9 e 27 de março, o BCE adquiriu 41.016 milhões de euros em obrigações soberanas da zona euro, excluindo a dívida grega (em virtude de não estar concluído o processo de negociação no âmbito da extensão do resgate até final de junho) e as maturidades a 2 e 3 anos da dívida alemã que registaram yields negativas superiores a -0.2% (critério de exclusão tendo em conta a taxa negativa de remuneração dos depósitos no BCE).

O anúncio deste programa de quantitative easing à europeia e a sua execução têm acentuado a descida para mínimos históricos das yields da dívida obrigacionista dos membros do euro e têm ampliado o registo de yields negativas cada vez mais baixas em seis economias do centro da zona monetária única (Alemanha, Áustria, Bélgica, Finlândia, França e Holanda). No caso alemão, as taxas negativas estendem-se inclusive até ao prazo de 7 anos. Taxas negativas significam que os investidores "pagam" para deter essas obrigações soberanas em carteira.

Outro efeito positivo que o BCE pode reclamar é o abrandamento do processo de inflação negativa que recuou de -0,6% em janeiro para -01,% em março. No entanto, Mario Draghi, o presidente do BCE, afirmou perante os deputados europeus, na sua ida à Comissão de Assuntos Monetários no Parlamento Europeu, que não se deve falar de "retoma estrutural", sublinhando o uso do adjetivo "cíclica" para caracterizar a retoma em curso.

Efeito colateral da política monetária agressiva do BCE, o euro desvalorizou 4% entre o final de fevereiro e o final de março. A 16 de março o câmbio da moeda única chegou a descer para 1,046 dólares.

No âmbito global, registou-se uma descida de quase 10% do preço do barril de petróleo da variedade Brent que recuou de 61,21 dólares para entrega em abril no final de fevereiro para 55,25 dólares para entrega em maio no final de março.