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Portugal paga menos em emissão sindicada. Itália paga mais em leilão.

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Portugal colocou em emissão sindicada dívida a 10 e 30 anos e pagou menos do que em janeiro. Tesouro italiano colocou dívida a 5 e 10 anos e o britânico a 10 anos e pagaram taxas de remuneração mais elevadas do que em emissão anterior similar. Contágio regressa no mercado secundário.

Os Tesouros de Portugal, Itália e Alemanha colocaram esta quarta-feira 11,8 mil milhões de euros em dívida obrigacionista.

No caso de Portugal pagou taxas inferiores às de operações similares em janeiro, mas Itália pagou taxas de remuneração média superiores e a Alemanha financiou-se com taxas negativas, mas inferiores às de operação similar anterior. 

Fora da zona euro, o Reino Unido colocou 3 mil milhões de libras em obrigações a 10 anos a taxas também superiores às da emissão anterior similar.

Os analistas consideraram "fraco" o leilão de dívida na Alemanha cuja colocação ficou abaixo da meta.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) regressou esta quarta-feira ao mercado obrigacionista com uma emissão sindicada de 2 mil milhões de euros a 10 anos e de 500 milhões de euros a 30 anos. Tratou-se da reabertura de duas linhas obrigacionistas lançadas em janeiro. O IGCP pagou taxas de emissão de 2,127% a 10 anos, inferior a 2,92% verificado na operação de janeiro, e de 3,092% a 30 anos, inferior a 4,13% na emissão de janeiro. O objetivo de emissões sindicadas - no caso de hoje por seis bancos de investimento - é conseguir uma colocação superior à que poderia ser obtida através de um leilão de dívida.

O Tesouro italiano na emissão a 5 anos pagou uma taxa de 1,4% contra 1,34% na operação similar anterior e colocou 4 mil milhões de euros. A 10 anos pagou 0,63% também acima de 0,55% na operação anterior e emitiu 2 mil milhões de euros. O Tesouro britânico foi ao mercado com uma emissão de Gilts (designação dos títulos) a 10 anos pagando uma taxa de 1,88% contra 1,683% na operação anterior e emitiu 3 mil milhões de libras.

O Tesouro alemão colocou dívida a 5 anos pagando uma taxa negativa de -0,007%, inferior à registada em operação anterior similar que se situou em -0,1%. A colocação foi de 3274 milhões de euros abaixo da meta de 4 mil milhões. Taxa negativa significa que os investidores pagam ao emissor para deter em carteira títulos do Tesouro.

Na terça-feira, Chipre regressou ao mercado de emissão de dívida obrigacionista colocando mil milhões de euros em obrigações a 7 anos com uma taxa de remuneração de 4%. A procura dos títulos pelos investidores foi quase o dobro. Chipre continua sob resgate da troika. Com esta operação procura tornar-se elegível para o programa de compras de dívida pública no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (BCE).

Contágio grego e expetativas de inflação agitam mercado secundário

O mercado secundário da dívida soberana na zona euro foi esta quarta-feira agitado por uma subida generalizada das yields das obrigações dos periféricos e das economias do centro.

As razões apontadas pelos analistas são duas que se estão a conjugar - o factor contágio grego regressou, apesar do "refrescamento" da direção das equipas de negociação de Atenas com os credores oficiais, e as expetativas de subida da inflação na zona euro (e de recuo no risco de deflação) consolidam-se. Segundo as estimativas rápidas do Eurostat, a inflação na zona euro em abril foi de 0% abandonando o terreno negativo. A trajetória tem sido de recuo da inflação negativa: -0,6% em janeiro, -0,3% em fevereiro; -01,% em março; 0% em abril.

As yields das obrigações gregas a 10 anos subiram 53 pontos base fechando em 11,51%. No prazo a 2 anos subiram para mais de 22% e no prazo a 5 anos para 15,78%. O BCE aumentou o teto da linha de emergência de liquidez para a Grécia para 76,9 mil milhões de euros, uma subida de 1,4 mil milhões, o que continua a ser positivo para a banca grega.

O custo de segurar a dívida grega a 5 anos contra um incumprimento (default), através dos instrumentos financeiros designados por credit default swaps (cds no acrónimo), fechou esta quarta-feira em 2796,61 pontos base, o equivalente a uma probabilidade de default de 76,9%, segundo a CMA. Depois de se ter aproximado do custo dos cds da Venezuela e Ucrânia, que se mantêm no patamar dos 3500-3600 pontos base, a Grécia distanciou-se dos líderes do "clube" da probabilidade de bancarrota.

O governo helénico reafirmou esta quarta-feira que não há um "Varoufexit" (saída de cena do ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis) e que a equipa do ministro está a preparar um super-pacote legislativo para ser apreciado na quinta-feira em Conselho de Ministros com vista a seguir para o Parlamento. Os analistas aguardam o detalhe do pacote para avaliar se há concessões adicionais do governo grego perante as exigências dos credores oficiais, ou se, na substância, a lista Varoufakis se mantém. Fontes oficiais da zona euro disseram à Reuters que o Eurogrupo pretende obrigar a Grécia a pagar "um custo político", o que é esta quarta-feira destacado pelo jornal grego "Protothema".

Nos restantes periféricos, as maiores subidas no prazo a 10 anos registaram-se para as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) e das obrigações espanholas com aumentos de 16 pontos base. As yields das OT chegaram a subir para 2,18% durante a sessão tendo, depois, fechado em 2,13%. As yields regressaram ao patamar dos 2% a 17 de abril e só registaram valores ligeiramente abaixo em três sessões desde essa data. Recorde-se que a 13 de março chegaram a um minimo histórico de 1,51%.

Nas economias do centro do euro, no prazo a 10 anos, as yields subiram 12 pontos base no caso das obrigações alemãs e 15 pontos base para as obrigações francesas. A Bloomberg salientou que a subida das yields dos Bunds (títulos alemães) na maturidade de referência foi a maior registada desde há dois anos. "Realmente, realmente, realmente grande", sublinha a agência financeira.

O jornal britânico "Financial Times" colocava esta quarta-feira a hipótese do ciclo de descida das yields para mínimos históricos na zona euro ter chegado ao fim sobretudo nos periféricos.

Até 24 de abril, o Banco Central Europeu comprou no mercado secundário 85 mil milhões de euros de dívida dos membro do euro entre 2 e 30 anos.