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Portugal fixa mínimo histórico nos juros a 2 anos

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Mas as yields destas Obrigações do Tesouro revelam forte volatilidade intradiária. O outro facto do dia foi a reentrada da Irlanda para o "clube" dos juros negativos nos prazos a 12 meses e 2 anos.

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) a 2 anos desceram esta terça-feira no fecho para 0,015%, novo mínimo histórico no mercado secundário da dívida soberana. A 1 de abril haviam descido para 0,022%. No entanto, as variações intradiárias têm sido enormes. As yields neste prazo revelam enorme volatilidade durante o dia. Hoje a amplitude de variação foi entre o novo mínimo de 0,015% e um máximo do dia em 0,32%.

O outro facto do dia foi a reentrada da Irlanda no "clube" das yields negativas. Nos prazos a 12 meses e a 2 anos, as yields das obrigações irlandesas fecharam em valores negativos, em -0,059% e -0,030% respetivamente. No prazo a 12 meses é um novo mínimo histórico; o anterior havia sido registado a 19 de março com -0,058%. No prazo a 2 anos, o mínimo histórico de -0,045% foi registado a 23 de março.

As economias emissoras de dívida soberana que esta terça-feira registavam yields negativas no mercado secundário eram sete - além da Irlanda (no prazos de 12 meses e 2 anos), a Alemanha (entre 12 meses e 7 anos, o leque mais amplo), Áustria (de 12 meses a 5 anos), Bélgica (de 12 meses a 4 anos), Finlândia (de 2 a 5 anos), França (de 12 meses a 4 anos) e Holanda (de 2 a 5 anos).

 

Espanha coloca Bilhetes do Tesouro a juro negativo

No terreno da dívida de muito curto prazo, de emissão de Bilhetes do Tesouro, Espanha regressou ao mercado primário esta terça-feira colocando dívida a 6 meses com uma taxa de remuneração negativa de -0,002%, pela primeira vez. O Tesouro espanhol colocou 725 milhões de euros com uma procura por parte dos investidores cinco vezes superior. Recorde-se que, em junho de 2012, o Tesouro espanhol colocava o mesmo tipo de dívida com uma taxa de 3,24%.

O dia foi caracterizado por uma descida generalizada das yields das obrigações a 10 anos das economias da zona euro. A maior descida registou-se para as OT, que desceram 7 pontos base fechando em 1,64%. O mínimo histórico está em 1,51% registado a 12 de março.

Note-se que as yields das obrigações gregas naquela maturidade de referência desceram para 11,5%, depois de terem fechado em 11,86% a 2 de abril, última sessão antes de dois feriados gregos. O pico mais recente de 12,14% registou-se a 19 de março.

Recorde-se que o ministro das Finanças grego garantiu em Washington à diretora-geral do Fundo Monetário Internacional que será paga a tranche de 458 milhões de euros do empréstimo no âmbito do resgate que vence a 9 de abril. Os investidores aguardam, agora, o desenrolar das reuniões do Grupo de Trabalho do Euro (que prepara as reuniões do Eurogrupo) dias 8 e 9 de abril com a ordem de trabalhos centrada na mais recente proposta de medidas de reforma pela Grécia. A expetativa é que algum acordo possa ser alcançado na reunião do Eurogrupo em Riga, na Letónia, a 24 de abril. Alguns cenários apontam para um acordo parcial.

O Banco do Pireu, o maior banco grego, colocou esta terça-feira dívida a 3 meses num montante de 4,5 mil milhões de euros com uma taxa de remuneração de 6%, um expediente que os bancos helénicos têm usado para "criar" colateral que possa ser aceite pelo Banco Central grego. Estes títulos de curtíssimo prazo, que têm garantia do Estado, não são vendidos a investidores estrangeiros, mas são comprados pelos próprios bancos. Nos últimos quatro meses, os três principais bancos helénicos, o Pireu, o Alpha e o Eurobank, emitiram 13 mil milhões de euros neste tipo de títulos, refere o "The New York Times".

 

31% das compras do BCE em dívida dos periféricos

No âmbito do programa de compra de dívida pública da zona euro no mercado secundário por parte do Banco Central Europeu (BCE) até final de março, a maturidade média das obrigações soberanas adquiridas situava-se em 8,56 anos. Nos casos da Alemanha e da França, que registaram os volumes de compras mais elevados por parte do BCE, a maturidade média das obrigações adquiridas estava ligeiramente acima de 8 anos. No caso da aquisição de 1,07 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro português, a maturidade média foi de 10,96 anos.

As compras de obrigações emitidas pelos periféricos do euro (com exceção da Grécia que está excluída) somaram 14,83 mil milhões de euros entre 9 e 31 de março, o que representou 31% do montante total de 47,36 mil milhões de euros de compras de dívida pública pelo BCE.