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Parlamento grego chumba novamente candidato presidencial

Getty

O candidato único apresentado pelo governo recolheu apenas 168 votos a favor. Terceira volta convocada para 29 de dezembro, em que serão necessários 180 votos para ser eleito e não se realizarem eleições legislativas antecipadas.

O candidato único presidencial grego Stavros Dimas, apresentado pelo governo de coligação conservador-socialista chefiado por Antonis Samaras, recolheu apenas 168 votos na segunda volta realizada esta terça-feira no Parlamento helénico. Em relação à votação na primeira volta, Dimas obteve, agora, mais 8 votos, que os analistas atribuem à oferta pelo governo de uma remodelação do governo integrando ministros representando deputados independentes.

Para ser eleito nesta segunda volta, o candidato Dimas deveria ter recolhido uma maioria de 200 votos, pelo que a terceira volta foi convocada para 29 de dezembro. Votaram "presente" 131 deputados e esteve ausente da votação 1 deputado."Presente" tem sido a opção escolhida por toda a Oposição para não votar a favor nem contra. Na terceira volta são necessários 180 votos para eleger Dimas, ou seja mais 12 votos do que os apurados hoje.

 

Subiu probabilidade de eleições gerais antecipadas

A obtenção dos 180 votos na terceita volta afigura-se difícil e as probabilidades de convocação de eleições legislativas antecipadas no início de 2015 subiram.

No caso de eleições gerais, a última sondagem realizada entre 19 e 21 de dezembro pela Pulse dava 28,5% de intenções de voto no partido de oposição de esquerda Syriza e 25% na Nova Democracia, o partido de direita que lidera a atual coligação governamental com os socialistas do PASOK.

O partido que ganhar eleições tem uma oferta de 50 lugares adicionais no Parlamento. Mas, os analistas referem que, mesmo com esse bónus da lei eleitoral grega para o mais votado, é baixa a probabilidade de o Syriza ou a Nova Democracia conseguirem formar um governo de coligação em virtude da enorme fragmentação da representação do eleitorado. Para o conseguir, em uma volta de eleições legislativas ou em duas sucessivas (como em maio e junho de 2012), um dos dois partidos terá de polarizar mais votos úteis. Caso sejam convocadas eleições gerais, George Papandreou, ex-primeiro ministro e ex-líder do PASOK, deverá abandonar o partido fundado pelo seu pai em 1974 e formar mais uma nova formação política.

No momento em que se conheceram os resultados da eleição, as yields das obrigações gregas a 10 anos subiram para 8,48% e a Bolsa de Atenas recuava 1,1%.

A crise política foi aberta a 27 de novembro quando o governo de Samaras resolveu antecipar as eleições presidenciais de fevereiro de 2015 para dezembro. O segundo programa de resgate, que deveria terminar a 31 de dezembro em termos de intervenção europeia, foi alargado até final de fevereiro, para que o 6º exame possa ser concluído pela troika.

A expetativa centra-se, agora, em saber que novas jogadas políticas realizará o governo até à próxima segunda-feira para tentar obter os 180 votos cruciais para Dimas. A Comissão Europeia apoiou explicitamente o candidato Dimas, ex-comissário europeu, quando este foi anunciado.