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O mesmo desejo de fim de ano: BCE e FMI querem mais estímulos monetários em 2015

O economista-chefe do Banco Central Europeu reafirmou a "urgência" na ação para evitar o risco de "um ciclo vicioso económico" na zona euro. A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional diz que continua a ser necessária "uma política monetária acomodativa".

Não estavam combinados, mas Peter Praet, do Banco Central Europeu (BCE), e Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), coincidiram nos desejos de fim de ano.

Peter Praet, economista-chefe do BCE, reafirmou neste final de ano que há um "sentido de urgência na ação" e que o banco central "reavaliará a situação cedo no próximo ano". Praet disse em entrevista ao jornal financeiro alemão "Boersen-Zeitung", publicada esta quarta-feira, que há um risco real de "um ciclo vicioso económico" e que as empresas estão a acantonar-se a uma má situação de "1% de crescimento e de 1% de inflação". Praet não acha que se deva chamar a essa nova era de "medíocre" (como considerou o Fundo Monetário Internacional), mas sim de uma nova realidade "mais próxima de um equilíbrio de subemprego de Keynes".

Recorde-se que o objetivo fixado pelo BCE desde setembro é de aumentar o seu balanço em 1 bilião de euros. Durante 2014, o balanço do BCE desceu de mais de 2,2 biliões de euros para 2,04 biliões no final de dezembro. A meta orientadora referida por Mario Draghi, o presidente do banco central, é de regressar, através das operações de mercado, a um nível próximo de 3 biliões de euros. Em junho de 2012, o balanço do BCE atingiu um máximo histórico de 3,1 biliões de euros.

Nos três programas que lançou em setembro, outubro e novembro, ainda só injetou 244 mil milhões de euros, incluindo um fiasco na linha de refinanciamento até 2018 designada por TLTRO (uma linha condicionada por obrigatoriedade dos bancos financiarem a economia real) que em duas operações em setembro e dezembro só teve uma procura de 212,44 mil milhões de euros, quando o montante disponível era de 400 mil milhões. Os dois programas de compra de ativos financeiros privados (covered bonds e ABS) ainda só envolveram pouco mais de 31 mil milhões de euros.

Os analistas interpretaram as respostas de Praet na entrevista ao jornal financeiro alemão como sinalizando a alta probabilidade do BCE avançar no primeiro trimestre de 2015 para um programa de compra de dívida soberana.

Por seu lado, Christine Lagarde, a diretora geral do FMI, publicou esta quarta-feira um artigo de opinião no jornal italiano "Il Sole 24 Ore" intitulado "Três desafios para os governos no globo que não querem resignar-se à estagnação", onde reafirmava que "uma política monetária acomodativa continua a ser necessária enquanto o crescimento permanecer anémico, ainda que devamos estar muito atentos ao risco de efeitos potenciais".

O destinatário principal é o BCE e as forças de bloqueio no seu seio, já que o Banco do Japão prossegue o seu programa de "alívio quantitativo e qualitativo" com grande vigor (reforçado em outubro) e a presidente da Reserva Federal norte-americana, Janet Yellen, prometeu que o banco central mais poderoso do mundo será "paciente" em 2015. Em relação à zona euro, a posição do Fundo é que uma inflação baixa (e uma desinflação continuada arriscando transformar-se num ciclo de inflação negativa) é mais perigosa do que o problema orçamental.

A diretora-geral do FMI apontou os três desafios do ano: lutar pelo crescimento ou resignar-se à estagnação; melhorar a estabilidade ou sucumbir à fragilidade; e agir em conjunto ou em isolado.