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Nouriel Roubini não acredita que a Grécia saia do euro

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FOTO ERIC PIERMONT/AFP/Getty Images

O consultor alcunhado de "Dr. Doom" acha que uma catástrofe vai ser evitada no caso grego. Risco de contágio massivo e considerações geopolíticas pesam.

"É pouco provável um Graccident", disse Nouriel Roubini, o mediático consultor conhecido pela alcunha de "Dr.Doom", doutor Catástrofe, em declarações à Bloomberg.

Graccident - ou, segundo outros, Grexident - é um neologismo baseado na contração de Grécia e acidente em inglês que os analistas nos mercados financeiros estão a usar para caracterizar a probabilidade de um "acidente" de percurso nas negociações até final do período de extensão do programa de resgate em junho que empurre Atenas para uma opção de saída do euro.

O neologismo Graccident ficou em destaque na imprensa internacional, e em particular na comunicação social grega, depois do ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble ter afirmado à rádio austríaca ORF que tal cenário não era de excluir. Os porta-vozes do ministério e da própria chanceler alemã Angela Merkel vieram, depois, sublinhar que a Alemanha quer a Grécia no euro, procurando anular o efeito da frase proferida pelo ministro que as proferiu na sequência de afirmações do ministro das Finanças austríaco Hans Schelling, citado pela Reuters, sublinhando que "o risco [de saída da Grécia do euro] existe".

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, ao ter declarado que o programa de compras de dívida pública da zona euro (que exclui, por ora, a Grécia), iniciado no início da semana, teria, também, como efeito "blindar" os outros periféricos de um efeito de contágio da crise grega, aumentou os rumores de que uma saída da Grécia do euro voltava a estar iminente. Uma sondagem realizada na Alemanha, publicada pelo ZDF Politbarometer, revelava que 52% dos inquiridos são contra a permanência da Grécia no euro

Roubini disse à Bloomberg que o contágio de uma saída do euro pela Grécia será "massivo", ao contrário do que têm referido outros analistas e várias consultoras financeiras, e que considerações sobre as "consequências geopolíticas" serão, também, tomadas em consideração pelas instituições europeias.

A agência de notação Standard & Poor's acabou na sexta-feira por não baixar o rating B- (que significa uma notação altamente especulativa, pior do que a classificação portuguesa) da dívida grega de longo prazo, mantendo, no entanto, a situação grega em "observação negativa".

A Grécia fechou a semana com uma subida das yields da dívida obrigacionista. Na maturidade de referência, a 10 anos, as yields subiram de 9,61%, no fecho de 6 de março, para 10,81%, no fecho de 13 de março, um disparo de mais de 1 ponto percentual. No prazo a 2 anos, as yields subiram para 19,2%. A 10 de fevereiro, as yields a 2 anos chegaram a subir para 22% e a 2 de fevereiro, as yields a 10 anos atingiram um pico de 11,55%. Esses níveis ainda não foram atingidos, mas a trajetória é ascendente.

O custo de financiamento da dívida grega a 2 e a 5 anos é superior ao custo de financiamento da dívida russa naqueles prazos. A 2 anos é, também, superior ao custo de financiamento da dívida ucraniana.

O custo de segurar a dívida grega a 5 anos contra um incumprimento subiu para mais de 1900 pontos base. Uma semana antes estava em 1546 pontos base. A Grécia inclui-se no "clube" das economias do mundo com mais alta probabilidade de entrar em default, que é liderado pela Venezuela (com 5621 pontos base), contando ainda com a Ucrânia e o Paquistão.