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Na véspera da primeira volta de eleições, juros da dívida grega ficam acima de 9%

Grécia contínua em foco, a par do petróleo e da crise cambial russa. Juros da dívida portuguesa mantêm-se perto de 3% e Alemanha e França registam novos mínimos históricos. O Parlamento grego realizará quarta-feira a primeira votação do candidato presidencial.

Na véspera da primeira votação no Parlamento grego em Atenas do candidato governamental para a Presidência Stavros Dimas, um dos acontecimentos da semana marcantes politicamente e para os mercados financeiros, as yields da dívida helénica a 10 anos subiram no mercado secundário 10 pontos base, fechando em 9,03%, segundo dados da Investing.com. No prazo a três anos, regressaram a um valor acima de 11%.

O custo de segurar a dívida grega contra o risco de bancarrota - o que tecnicamente se designa por credit default swaps (acrónimo CDS) - subiu para 1114,07 pontos base, acima do valor de fecho de segunda-feira, mas ligeiramente abaixo de 1119,96 pontos base registado a 12 de dezembro, o nível mais alto desde o início do ano. O atual custo dos CDS equivale a uma probabilidade de risco de incumprimento da dívida soberana grega superior a 55%.

A primeira volta das eleições presidenciais, que se realizará pelas 17h de Lisboa de quarta-feira (17 de dezembro), é dada como perdida para o candidato Dimas. A sua eleição requer 200 votos em 300 deputados, mas o governo prevê que o seu candidato recolha apenas 166 votos, ou seja mais 12 votos que a soma das bancadas da Nova Democracia e do PASOK. É, por isso provável, que seja marcada a segunda volta para 29 de dezembro, que requer, também, 200 votos a favor do candidato. Só numa terceira volta, esse limiar de aprovação baixa para 180 votos. O desafio para o governo é conseguir puxar para o seu campo um número significativo de independentes e dos dois partidos Esquerda Democrática e Gregos Independentes, como sublinhava o economista grego Yanis Varoufakis em entrevista ao Expresso na semana passada.

A maioria dos gregos em sondagem recente desejava que o presidente fosse eleito nestas três rondas e que não se avançasse para eleições legislativas antecipadas. Mas, no caso de estas se realizarem no início de 2015, o partido de Oposição de esquerda Syriza ganhará as eleições, com 25,5%, segundo a sondagem da Kapa Research para a To Vima, ou com 30,8%, segundo a sondagem da MRB. O Syriza foi o segundo classificado nas eleições legislativas de junho de 2012 com 26,89% dos votos face a 29,66% para a Nova Democracia que lidera a coligação governamental que então se formou.

O comissário europeu dos Assuntos Económicos, o socialista francês Pierre Moscovici, no final de uma deslocação de dois dias a Atenas, que terminou em vésperas da votação, declarou que "o lugar da Grécia na zona euro não está mais em causa" e que a Comissão "fala com todos os governos". Mas revelou preferência por um governo que preserve "a integridade da zona euro e seja a favor de reformas", evitando, no entanto, pronunciar-se explicitamente a favor do candidato Dimas, como o fez a Comissão Europeia.

 

Juros da dívida portuguesa sem alteração

As yields das Obrigações do Tesouro português a 10 anos mantiveram-se em 2,93%, tendo chegado a registar 3,06% pelas 12h30. Sem alteração ficaram, também, as yields das obrigações italianas. As yields das obrigações irlandesas naquela maturidade de referência subiram ligeiramente para 1,31%, mas são as mais baixas entre os periféricos do euro. As yields das obrigações alemãs e francesas a 10 anos fixaram esta terça-feira novos mínimos históricos (em valores de fecho), descendo para 0,6% e 0,88% respetivamente.

A derrocada do preço do barril de petróleo, com a variedade Brent a registar esta terça-feira valores abaixo de 60 dólares (fechando ligeiramente abaixo), o que não sucedia desde abril de 2009, alimenta o sentimento dos investidores financeiros de que o impacto dessa descida na continuação do processo de desinflação na zona euro (descida da taxa de inflação para próximo de 0%) empurrará o Banco Central Europeu (BCE) para uma opção de compra de dívida soberana dos membros do euro no início de 2015. Segundo a mais recente sondagem da Bloomberg junto de analistas, 90% dos inquiridos acham que o BCE avançará para essa opção, uma percentagem superior aos 57% que se manifestavam em novembro nesse sentido.

 

Terça-feira negra em Moscovo

Outra dor de cabeça para o BCE é o desenvolvimento da situação na Rússia e a possibilidade, aventada por alguns analistas, de ser o primeiro sinal de uma crise cambial global.

O rublo continuou hoje a derrocada, apesar das medidas extremas tomadas pelo Banco Central da Rússia (que subiu, de surpresa, a taxa diretora de juros de 10,5% para 17%) ao início da madrugada. O euro chegou a um máximo histórico 97,17 rublos pelas 12h10 desta terça-feira, e fechou próximo de 86 rublos, acima do valor de segunda-feira, antes da decisão do banco central.

A desvalorização do rublo face ao euro já regista 102,7% desde o início do ano, a maior à escala mundial, liderando à distância a dos restantes membros deste "clube" em 2014 - o peso argentino, a coroa norueguesa, o real brasileiro e a lira turca.

A Bolsa de Moscovo voltou a sofrer esta terça-feira um crash, ainda maior do que o registado na segunda-feira. O índice geral RTSI caiu esta terça-feira 12,41%. A queda acumulada esta semana já soma 22,53%.

O "Financial Times" e o "The Economist" já batizaram o dia como "terça-feira negra".

Com o falhanço das mexidas na taxa diretora de juros pelo banco central, Constantin Gurdgiev, economista russo radicado em Dublin, admite que o próximo passo seja o controlo de capitais. Em entrevista à edição diária digital desta terça-feira do Expresso, o professor no Trinity College sublinhou: "Se os preços do barril permanecerem por um período prolongado abaixo de 60-65 dólares, o controlo de capitais será inevitável".