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Mercados financeiros animam-se com "despromoção" de Varoufakis

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O 'motard' Yanis Varoufakis dá boleia a Euclid Tsakalotos, ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros responsável pelas Relações Económicas Internacionais, novo responsável pela coordenação política das negociações com os credores oficiais no âmbito do Grupo de Bruxelas

Alkis Konstantinidis/Reuters

Com a saída da sombra dos académicos Tsakalotos e Houliarakis para a coordenação política e técnica das negociações da Grécia com os credores oficiais, os juros da dívida grega desceram no mercado secundário e contagiaram positivamente os restantes periféricos.

A Bolsa de Atenas fechou esta segunda-feira a ganhar 4,37%. É a quarta sessão consecutiva com fecho positivo. As yields das obrigações gregas de curto, médio e longo prazo caíram no mercado secundário da dívida soberana. No prazo a 2 anos, fecharam esta segunda-feira em 25,53% depois de terem fechado a semana anterior em 26,36%. Na maturidade de referência, a 10 anos, desceram de 12,68% no fecho de sexta-feira passada para 11,89% no fecho desta segunda-feira, uma redução em 79 pontos base.

A descida nas yields da dívida obrigacionista grega contagiou positivamente os restantes periféricos, com as yields das Obrigações do Tesouro português a 10 anos a descerem para 1,91% no final da sessão desta segunda-feira, menos nove pontos base do que no fecho de sexta-feira passada, retirando-as do patamar dos 2%, ou muito próximo (1,99% em 23 de abril), onde se situavam desde 17 de abril.

Esta descida foi provocada pela forma como os mercados da dívida "interpretaram" a decisão anunciada esta segunda-feira pelo governo grego em "refrescar" a direção das equipas de negociação com os credores oficiais, retirando da sombra dois outros académicos, Euclid Tsakalotos, ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros responsável pelas Relações Económicas Internacionais, e Giorgos Houliarakis, presidente do Conselho de Peritos Económicos. O primeiro ficou responsável pela coordenação política e o segundo pela coordenação técnica das negociações com os credores oficiais no âmbito do Grupo de Bruxelas (que reúne o governo grego com os representantes dos credores oficiais). Tsakalotos disse que a equipa política "há meses" que funcionava informalmente e que apenas foi formalizada.

A "castração" do ministro das Finanças

Os analistas interpretaram a "mexida" do primeiro-ministro Alexis Tsipras como uma "despromoção" do ministro das Finanças Yanis Varoufakis, com o jornal britânico "Financial Times" a citar um analista de risco do Eurasia Group considerando que o ministro seria "o único grande impedimento a um acordo". O jornal adianta que o chefe do governo estaria inclinado para "fazer concessões aos credores" na retaguarda das linhas vermelhas traçadas. Tsakalotos e Houliarakis são classificados, pelos analistas, como moderados face a Varoufakis e Nikos Theoharakis, que chefiava as negociações técnicas e que foi agora encarregado da elaboração de um plano de crescimento. O PASOK, na Oposição e que participou no anterior governo de coligação liderado por Antonis Samaras, falou da "castração" de Varoufakis.

Recorde-se que o ministro das Finanças grego foi muito atacado pelos pares na última reunião do Eurogrupo em Riga na sexta-feira passada e que o primeiro-ministro helénico Alexis Tsipras e a chanceler alemã Angela Merkel decidiram no domingo manter uma linha direta de contacto para acompanhar o andamento das negociações entre a Grécia e os credores oficiais.

Varoufakis é um ativo do país

Tsipras disse numa entrevista televisiva esta segunda-feira ao programa "Ston Eniko" do canal privado Star TV que "Varoufakis é um ativo do país", mas que as negociações "não pertencem a uma única pessoa, o primeiro-ministro tem a responsabilidade global". Admitiu que "há um clima negativo" no seio do Eurogrupo, em que os outros ministros das Finanças "não querem, em definitivo, negociar com Varoufakis".

O primeiro-ministro grego referiu ainda que "um falhanço, um desenvolvimento não desejável ou uma bancarrota serão um fracasso para Merkel e para a Europa". 

A Reuters divulgou esta segunda-feira os resultados da sua sondagem semanal a operadores dos mercados financeiros que estão agora mais preocupados com uma saída da Grécia do euro. A percentagem dos 20 inquiridos pela agência que se inclinam para uma tal possibilidade subiu de 28% na semana passada para 40% agora. Um "salto" significativo. No entanto, 60% continuam a achar que pode ocorrer um incumprimento de dívida mantendo-se a Grécia no euro.