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Juros descem para a dívida portuguesa

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Pela primeira vez desde o princípio de março de 2011, os juros das obrigações do Tesouro a dois anos fecharam abaixo de 6%. Os juros da dívida portuguesa desceram hoje em todos os prazos, enquanto os de Espanha voltaram às subidas. Madrid. de novo, perto dos 7% nos juros a 10 anos.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

As yields das obrigações do Tesouro (OT) a dois anos fecharam hoje, pela primeira vez, no mercado secundário da dívida soberana, abaixo de 6%, desde o início de março de 2011 (antes do pedido de resgate pelo anterior governo em 6 de abril desse ano). Segundo dados da Bloomberg, as yields destas OT fecharam em 5,90%, depois de segunda-feira terem fechado em 6,645%. A yield é a taxa de rentabilidade anualizada que o investidor recebe por manter um título até ao seu vencimento; é vulgarmente designada por juros.

Este movimento significativo de descida insere-se numa baixa das yields em todas as maturidades das OT, mas que tem sido mais acentuado nos prazos mais curtos, depois das decisões da reunião de governadores do Banco Central Europeu (BCE) na semana passada anunciadas pelo seu presidente Mário Draghi.

As yields das OT a três anos fecharam hoje em 6,995%, pela primeira vez abaixo da barreira dos 7%, também desde início de março de 2011.  Nas OT a dez anos, as yields fecharam em 10,05%. Esta remuneração das OT a dez anos tem estado acima de 10% desde junho de 2011 no mercado secundário.

O prémio de risco da dívida portuguesa em relação à dívida alemã (medido pelo diferencial entre as yields dos títulos dos dois países a dez anos) desceu para 8,56 pontos percentuais.

Também as yields dos títulos irlandeses a dois anos desceram hoje para 3,06%, estando, de novo, abaixo das verificadas, no mesmo prazo, para os títulos italianos, que fecharam em 3,189%. A "guerra" de quem consegue ter melhores condições de financiamento, neste prazo mais curto, entre Irlanda e Itália prossegue.

Espanha regressa às subidas

Em flagrante contraste, as yields das obrigações espanholas (OE) subiram em todas as maturidades, e reaproximaram-se dos 7% no prazo a dez anos.  Depois de um movimento de baixa no dia 3 de agosto (no dia seguinte à reunião do BCE) e ontem (6 de agosto), as yields das OE voltaram às subidas, e com particular incidência nos prazos mais curtos, a dois e a três anos, que haviam sido os mais beneficiados nos dois dias anteriores de negociação.

O efeito positivo da promessa de Draghi em eventualmente reativar o programa de compra de títulos soberanos dos países aflitos (ainda por resgatar) nos prazos mais curtos no mercado secundário (programa conhecido pelo acrónimo em inglês SMP) esfumou-se hoje. As yields das OE a dois anos fecharam em 3,85% e as das OE a três anos em 4.76%. Ontem haviam fechado em 3,495% e 4,524% respetivamente.

Depois de ontem terem descido para 6,73%, as yields das OE a dez anos subiram hoje para 6,86%, ameaçando, de novo, com uma aproximação à linha vermelha dos 7%, de insustentabilidade da dívida soberana sem resgate ou reestruturação. Espanha, no entanto, só "testará" esse problema no mercado primário (de emissão de dívida pelo Tesouro Público) a partir de 6 de setembro. Entre 6 e 28 de setembro suceder-se-ão em Madrid uma série de leilões de dívida pelo Tesouro em vários prazos. O Tesouro espanhol terá de pagar 6,6 mil milhões de euros de dívida que vencem em 21 de setembro e 29,5 mil milhões que vencem em outubro.

O prémio de risco da dívida espanhola em relação à dívida alemã subiu hoje de novo, ficando em 5,38 pontos percentuais.

Também, as yields dos títulos do Tesouro italiano subiram nos prazos a dois, a três e a cinco anos, invertendo o sentido dos dois dias anteriores, mas desceram no prazo a dez anos, fechando abaixo dos 6%. Em virtude da descida das yields no prazo a dez anos, o prémio de risco da dívida italiana desceu para 4,49 pontos percentuais.

O mesmo movimento de subida das yields verificou-se nos títulos alemães (designados por Bunds) e franceses, apesar dos níveis muito baixos em que continuam. No prazo a dois anos, as yields dos Bunds continuam em valores negativos - fecharam hoje em -0,03%. Segundo alguns analistas, a subida das yields no caso dos Bunds e das obrigações francesas pode indicar a saída de investidores internacionais do mercado da dívida da União Europeia, mesmo em relação a valores refúgio como são considerados os Bunds.