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Juros da dívida portuguesa em novos mínimos comparam com agravamento da situação da Grécia

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos já desceram esta segunda-feira para 1,74%, novo mínimo histórico. Atenas pretende pagar em parcelas ao FMI em março, mas financiamento do mês continua duvidoso. Novo programa do BCE domina expectativas.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT), no prazo de referência a 10 anos, continuam a trajetória de descida no mercado secundário da dívida soberana. Já desceram, durante a manhã, para 1,744%, novo mínimo histórico. A última semana de fevereiro fechou com as yields das OT naquela maturidade registando 1,84%, com um mínimo de 1,789% durante a sessão de sexta-feira.

A trajetória de descida das yields é comum aos restantes periféricos do euro, com exceção da Grécia. É elevada a expectativa dos investidores financeiros em relação ao programa de compra alargada de dívida pública e privada que o Banco Central Europeu (BCE) vai lançar a partir da reunião em Chipre no dia 5 de março. Mario Draghi, o presidente do banco central, referiu que o banco poderá comprar no mercado secundário dívida entre 2 e 30 anos, incluindo a que registe juros negativos (o que sucede em seis economias do centro em diversos prazos). A Markit tem sublinhado o apetite nos próprios Estados Unidos para o aproveitamente do ambiente de antecipação ao programa do BCE que está a registar-se no mercado da dívida soberana a zona euro.

Varoufakis diz que vai pagar ao FMI

As yields da dívida grega a 10 anos continuam a trajetória de agravamento. Registam ao final da manhã desta segunda-feira 9,72%, mais 12 pontos base do que no fecho de fevereiro. O risco de um evento de crédito em março continua a preocupar os investidores, apesar do ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis ter garantido, em entrevista à Associated Press, que o pagamento de uma tranche de 1,5 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) seria cumprido.

Uma das modalidades seria o pagamento em partes numa base de "pay as you go". O primeiro pagamento seria efetuado já, esta semana, a 6 de março num montante de 300 milhões de euros, seguindo-se novos pagamentos semanais até 20 de março. Deste modo, o Tesouro grego evitaria um incumprimento a um dos credores seniores.

Recorde-se que, em março, o Tesouro grego tem 10,7 mil milhões de euros em amortizações e juros de obrigações e empréstimos e ainda de refinanciamento dos Bilhetes do Tesouro (BT, dívida de muito curto prazo) que vencem.

O presidente do Eurogrupo (órgão de reunião dos 19 ministros das Finanças da zona euro), Jeroen Dijsselbloem, afirmou ao jornal "Financial Times" que há a possibilidade de pagamento por subtranches, com uma primeira "algures em março", se o governo de Atenas iniciar a concretização de medidas de reforma. Uma das soluções adicionais de financiamento em que o ministro Varoufakis tem insistido é a emissão de BT, com a autorização do Eurogrupo para o aumento do teto de emissão, de 15 mil milhões (já esgotado) para 25 mil milhões de euros. O Eurogrupo e o FMI pretendem que o Tesouro grego consiga que a compra desses títulos se faça sobretudo por investidores estrangeiros e não pelos bancos gregos.

O governo grego leva esta semana ao Parlamento um primeiro pacote de medidas legislativas em quatros áreas - crise humanitária, dívidas ao fisco, proteção de execução de penhoras da primeira habitação, e reabertura da Estação Pública de Televisão fechada em junho de 2013. Da lista de Varoufakis apresentada ao Eurogrupo, as medidas contra a crise humanitária e o combate à fraude e evasão ficais são dois pontos importantes. Mas, no olhar do Eurogrupo, estarão as privatizações, a neutralidade orçamental das novas medidas, a redução de despesa pública e reformas do mercado de trabalho.

O primeiro-ministro helénico Alexis Tsipras não manifestou intenção de levar ao Parlamento o acordo assinado com o Eurogrupo. Na reunião do Comité Central do Syriza, que decorreu este fim de semana, uma moção de rejeição do acordo obteve 40% dos votos, segundo a revista grega "Capital". No entanto, a mais recente sondagem, realizada pela Metron para o jornal "Parapolitika", aponta para um apoio de 76% ao governo e uma subida das intenções de voto no Syriza para 47,6% (obteve 36% nas eleições antecipadas de 25 de janeiro).