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Juros da dívida portuguesa em alta apesar de sorrisos entre Merkel e Tsipras

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Os juros da dívida grega continuam a descer dos picos a que chegaram recentemente, mas os juros dos restantes periféricos continuam em alta. A minicimeira de Tsipras em Bruxelas na semana passada e a reunião em Berlim desta segunda-feira com a chanceler alemã não alteraram estas trajetórias divergentes.

As yields das obrigações gregas continuam a descer no mercado secundário da dívida desde a minicimeira do primeiro-ministro Alexis Tsipras em Bruxelas na semana passada com as duas principais potências do euro (Alemanha e França) e com os presidentes das instituições chave (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Eurogrupo).

A trajetória de descida prossegue esta semana depois da visita oficial de Tsipras à Alemanha e da reunião com a chanceler Angela Merkel na segunda-feira. Merkel falou de reunião com "espírito de confiança", mas frisou que permanecem diferenças de opinião. Por seu lado, Tsipras reafirmou que mantém o direito de definir "determinadas prioridades" em relação à letra dos acordos recentes, mas quer "ultrapassar os estereótipos" entre os dois países.

Lista de medidas até 30 de março

O porta-voz do governo grego, Gabriel Sakellaridis, referiu ao canal Mega que, até segunda-feira, 30 de março, "o mais tardar", o governo grego apresentará a lista completa e específica de medidas de reforma como foi pedido na minicimeira. Sakellaridis confirmou que o primeiro-ministro grego e a chanceler alemã discutiram em Berlim as reformas estruturais que os gregos têm em mente, mas não em profundidade. Os mercados financeiros voltam, agora, a atenção para o momento em que a lista surgir.

As yields das obrigações gregas no prazo de referência, a 10 anos, desceram 26 pontos base desde o fecho de sexta-feira passada até à abertura desta terça-feira. Pelas 10h registavam 11,39%. No pico da crise do impasse recente nas negociações políticas e técnicas no âmbito do agora designado Grupo de Bruxelas, antes da minicimeira de Bruxelas, chegaram a subir até mais de 12%.

A percepção pelos mercados financeiros de um risco de um evento de crédito (incumprimento pontual de dívida soberana por parte do Tesouro grego) continua elevada. O custo de segurar a dívida grega a 5 anos contra uma bancarrota subiu para mais de 2560 pontos base no fecho de segunda-feira, segundo dados da CNBC.  Dados da CMA/S&P Capital IQ para terça-feira apontam para 1872,77 pontos base, implicando uma probabilidade de default de 79%. O preço do que tecnicamente é designado por credit default swaps (cds, no acrónimo usado nos mercados financeiros) coloca a Grécia no "clube" das quatro economias do mundo com mais alta probabilidade de bancarrota, liderado pela Venezuela, e onde se incluem também a Ucrânia e o Paquistão.

A rentabilidade anual negativa de toda a dívida obrigacionista grega agravou-se, segundo o índice da Bloomberg. O retorno nas últimas 52 semanas desceu de -22,65% para -23,33% entre 20 e 23 de março, o que compara com uma rentabilidade positiva de 16,97% para a dívida obrigacionista portuguesa, que lidera na União Europeia.

Juros das OT em 1,8%

Apesar dos sorrisos entre Merkel e Tsipras, e da distensão gerada entre a potência que comanda o euro e a economia periférica que muitos analistas consideram arriscar sair do euro por acidente ou como último recurso político, a trajetória das yields da dívida obrigacionista dos restantes periféricos continua em alta desde sexta-feira passada, à exceção da Irlanda, que se mantém sem alteração.

Na maturidade de referência, a 10 anos, a maior subida entre os periféricos, entre o fecho de 20 e a abertura de 24 de março, regista-se para as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) que registam um aumento de 17 pontos base, situando-se, pelas 10h, em 1,8%. O mínimo histórico está em 1,51% registado a 12 de março. Seguem-se as subidas nas yields das obrigações espanholas e italianas naquele período.

Em relação a 13 de março, no final da primeira semana de intervenção do novo programa de compra de dívida pública no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (BCE), as yields das OT a 10 anos estão, esta terça-feira, 24 pontos base acima. No caso das yields das obrigações espanholas e italianas, a subida foi de mais de 10 pontos base naquele prazo de referência.

O BCE adquiriu, até 20 de março, 26,3 mil milhões de euros de dívida pública no mercado secundário. Este programa de compra iniciou-se a 9 de março e na primeira semana adquiriu 9,75 mil milhões de euros. O programa permite ao BCE adquirir dívida soberana entre 2 e 30 anos emitida por países membros do euro e por instituições europeias, excluindo dívida com taxas negativas mais baixas do que -0,2% (a taxa negativa de remuneração de depósitos no banco central). O programa  decorre até pelo menos setembro de 2016 e envolve em média 60 mil milhões de euros por mês de compras de dívida pública e privada.